Brasília – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comunicou, na noite de terça-feira (30), que deixou a presidência nacional do PL Mulher. O anúncio foi feito depois de reunião com o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, na sede do movimento feminino da sigla, na capital federal.
Em nota, Michelle informou que a decisão tem como objetivo dedicar-se “integralmente” aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e foi condenado a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado. Ela também mencionou atenção à filha do casal.
Cenário de crise interna
A saída ocorre após desavença pública com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu enteado e pré-candidato à Presidência. Na semana passada, circulou vídeo em que Michelle relata ter sido “maltratada e humilhada” por Flávio durante telefonema sobre alianças políticas no Ceará. Ela se opõe a acordo com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), enquanto o senador defende a composição.
Segundo Michelle, o atrito foi registrado no fim de 2025. Desde então, Valdemar Costa Neto vinha tentando reduzir a tensão. O senador não havia se manifestado sobre a renúncia até a última atualização desta reportagem.
Plano eleitoral em aberto
O PL pretendia lançar Michelle ao Senado pelo Distrito Federal, mas o comunicado distribuído na terça não menciona eventual candidatura. Na quarta (1º), a legenda promove encontro de mulheres em Brasília e esperava a presença da ex-primeira-dama para sinalizar reconciliação com Flávio, o que agora é incerto.
Considerada liderança relevante entre eleitoras conservadoras – segmento em que o senador enfrenta maior resistência nas pesquisas internas –, Michelle vinha sendo figura central na pré-campanha do enteado.
Balanço do PL Mulher
Ao assumir o PL Mulher em 2023, Michelle afirmou que o movimento existia “apenas no papel”. Ela relata ter percorrido todos os estados, instalado diretórios e alavancado a filiação feminina. De acordo com dados divulgados pela própria ex-primeira-dama, o partido elegeu 1.005 candidatas em 2024, alta de 45,8% em comparação com 2020.
Posição do partido
Em nota paralela, Valdemar Costa Neto classificou divergências internas como “naturais” e disse que Michelle “passa por um momento difícil”, reforçando que a ex-primeira-dama “fez excelente trabalho” à frente do PL Mulher. O dirigente pediu respeito à decisão dela.
A presidência do movimento feminino será assumida interinamente pela vice, Priscila Costa, até que a direção nacional defina um nome definitivo.
Com informações de G1

