O preço do açúcar bruto negociado no contrato nº 11 da Bolsa de Nova York ultrapassou 16 centavos de dólar por libra-peso em agosto, reflexo da ampliação do déficit mundial previsto para a safra 2026/27 e da queda da produção no Centro-Sul do Brasil. O movimento foi detalhado no relatório Agro Mensal de agosto, publicado pela Consultoria Agro do Itaú BBA.
Déficit global é estimado em 1,4 milhão de toneladas
O Itaú BBA dobrou a projeção de desequilíbrio entre oferta e demanda para 1,4 milhão de toneladas em 2026/27, ante 700 mil toneladas estimadas anteriormente. A revisão decorre principalmente da redução da produtividade da beterraba na União Europeia, afetada por onda de calor e chuvas escassas, o que pode retirar cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar da oferta do bloco.
Para 2027/28, a consultoria Czarnikow prevê déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, sustentando os contratos de médio e longo prazos.
Europa, Índia e China no radar
Apesar da queda produtiva, os estoques europeus seguem elevados: até 31 de maio, estavam 12 % acima do nível de 2025, reduzindo a necessidade de importações imediatas.
Na Índia, previsão de monções fracas e medidas governamentais para conter a inflação alimentam rumores de compras externas. O Itaú BBA, porém, avalia que, com a moeda desvalorizada, a importação ainda não é competitiva. A produção indiana para 2026/27 é projetada em 29 milhões de toneladas, podendo crescer caso mais cana seja destinada ao açúcar em vez do etanol.
Já a China caminha para safra recorde, fator que também limita o potencial de alta internacional.
Oferta menor no Centro-Sul do Brasil
Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram recuo na produção do Centro-Sul, maior polo exportador global. Até o fim de julho, apenas 44,2 % da cana foi direcionada ao açúcar, ante 52 % um ano antes.
O Itaú BBA mantém previsão de moagem de 644,8 milhões de toneladas de cana em 2026/27, com mix açucareiro de 46,4 %, resultando em 39,4 milhões de toneladas de açúcar. A qualidade da matéria-prima, estimada em 138,3 kg de ATR por tonelada, pode, contudo, sofrer nova revisão para baixo.
Exportações e demanda seguem fracas
Mesmo com o déficit projetado, a demanda física internacional permanece contida. O banco relata diminuição das exportações brasileiras, descontos maiores nos preços FOB em Santos e baixo volume na programação de embarques, indicando cautela dos compradores.
O equilíbrio entre produção de açúcar e etanol continua a orientar as usinas brasileiras. Embora os preços futuros do açúcar ofereçam remuneração atrativa, limitações industriais e a qualidade da cana restringem a capacidade de elevar rapidamente a oferta.
A continuidade da alta nas cotações dependerá de maior apetite dos importadores, redução dos estoques na Europa e definição das safras na Índia e na China.
Com informações de Portal do Agronegócio

