O preço do milho no mercado brasileiro subiu 9,1% na parcial de agosto, alcançando média de R$ 46 por saca em Sorriso (MT). A valorização foi impulsionada pela alta do dólar e pela demanda firme de indústrias de ração, proteínas animais e etanol, aponta o relatório Agro Mensal de agosto do Itaú BBA.
Demanda interna sustenta cotações
Em julho, a saca havia sido negociada em média a R$ 42 na praça mato-grossense, 1,1% acima de junho. Mesmo com a entrada da segunda safra, o consumo doméstico manteve as cotações em alta. No acumulado de agosto, a moeda norte-americana mais valorizada reforçou o movimento, garantindo suporte aos preços em reais.
Cenário externo: clima melhora e preços recuam em Chicago
Na Bolsa de Chicago, o contrato mais próximo saiu de US$ 4,43 por bushel em julho para US$ 4,41 na parcial de agosto (queda de 0,4%), após chuvas e temperaturas mais favoráveis no cinturão produtor dos Estados Unidos reduzirem o risco para a produção 2026/27.
USDA projeta 407 milhões de t para os EUA
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estimou produtividade de 11,4 t/ha e área colhida de 35,9 milhões de hectares, elevando a projeção de produção norte-americana para 407 milhões de toneladas. Apesar de representar recuo de 6% frente às 432 milhões esperadas para 2025/26, o volume permanece elevado e deve reforçar a oferta global.
Balanço mundial mais ajustado
Segundo o Itaú BBA, a safra mundial 2026/27 deve alcançar 1,299 bilhão de toneladas, queda de 2% sobre o ciclo anterior. O consumo projetado é de 1,316 bilhão de toneladas (+1%), o que pode reduzir os estoques finais para 275 milhões de toneladas e baixar a relação estoque/consumo de 23% para 21%.
Principais estimativas de produção 2026/27:
- Estados Unidos: 407 mi t
- Brasil: 139 mi t (-1%)
- China: 307 mi t
- Argentina: 55 mi t (-13%)
- União Europeia: 50 mi t
- Ucrânia: 32 mi t (+3%)
Exportações brasileiras perdem ritmo
De fevereiro a julho, os embarques do Brasil cresceram 5,8% ante igual período do ano anterior, mas desaceleraram no segundo semestre. Em julho, o volume exportado ficou cerca de 20% abaixo do registrado em 2025, e programações portuárias indicavam nova queda em agosto. A consultoria mantém previsão de 40 milhões de toneladas exportadas entre fevereiro e janeiro, mas admite possível revisão se o ritmo não reagir.
Competitividade em xeque
O milho brasileiro permanece mais caro que o ofertado por Estados Unidos, Argentina e Ucrânia. Apesar do câmbio favorável, o nível de preço interno e os custos logísticos podem limitar as vendas externas. Caso a demanda internacional continue fraca, parte maior da safra pode ficar no mercado interno, pressionando cotações entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Outros fatores de pressão e suporte
O USDA reduziu a previsão de importação da China, que deverá colher 307 milhões de toneladas, reforçando a competição por compradores. Em contrapartida, a intensificação do conflito no Mar Negro e ataques à infraestrutura portuária russa elevam o risco logístico e oferecem suporte aos preços globais de grãos, inclusive milho, por efeito de substituição em relação ao trigo.
Para o Itaú BBA, os produtores brasileiros devem monitorar a paridade de exportação, o câmbio e a procura doméstica. Janelas de comercialização podem surgir com variações do dólar ou novos episódios de tensão geopolítica, mas o contexto de ampla oferta mundial exige cautela.
Com informações de Portal do Agronegócio

