As vendas externas de etanol do Brasil tendem a alcançar 1,535 bilhão de litros na safra 2026/27, número cerca de 20% superior aos 1,28 bilhão de litros embarcados no ciclo anterior, segundo projeção da agência Argus.
Produção deve bater recorde
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção total de 40,68 bilhões de litros para 2026/27, volume que, se confirmado, será o maior da série histórica de 21 anos. O avanço é impulsionado pelo etanol de milho, cuja participação na matriz nacional cresce de forma acelerada.
Necessidade de acelerar embarques
Entre abril e julho, o país exportou 347,2 milhões de litros. Para atingir a meta de 1,535 bilhão, ainda será preciso enviar ao exterior aproximadamente 1,188 bilhão de litros entre agosto de 2026 e março de 2027.
Janela de competitividade limitada
Uma vantagem de preço sobre o etanol norte-americano abriu espaço para novos contratos em julho, mas a Argus afirma que a janela se encerrou rapidamente, aumentando o desafio de cumprir a projeção até o fim da safra.
Mercados-alvo
Índia, Nigéria, Filipinas, Coreia do Sul, Japão e países europeus figuram entre os destinos recentes ou tradicionais do produto brasileiro. Nos mercados onde há disputa direta com os Estados Unidos, pequenas variações de preço, câmbio ou frete podem alterar a origem mais competitiva.
Fatores que afetam a competitividade
A recuperação dos preços internos — de R$ 2,513 por litro em 28 de julho para R$ 2,743 em 13 de agosto — reduz a atratividade de vender ao exterior. Além da cotação doméstica, dólar, fretes marítimos, disponibilidade de navios e tarifas influenciam a decisão das usinas.
Pressão da oferta crescente
Com novas usinas de milho em operação e capacidade instalada em expansão, o setor precisa encontrar canais adicionais de consumo. O mercado interno de combustíveis segue prioritário, mas aplicações como a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e usos no transporte marítimo ganham relevância.
Diferencial ambiental
O etanol de cana brasileiro apresenta menor intensidade de carbono que o etanol de milho dos Estados Unidos, vantagem que pode pesar em mercados com políticas de descarbonização mais rígidas, como o europeu.
Apesar do potencial, atingir o crescimento projetado exige aceleração dos embarques nos próximos meses, em meio à concorrência americana e à valorização do produto no mercado doméstico.
Com informações de Portal do Agronegócio

