07/08/2026 – O mercado brasileiro de trigo atravessou a semana com negociações limitadas e preços sustentados pela baixa disponibilidade de cereal, sobretudo dos lotes de melhor qualidade. A combinação de estoques reduzidos, pouca liquidez e cautela dos moinhos foi determinante para a firmeza das cotações em plena entressafra.
Oferta enxuta e compra pontual
Análise da Safras & Mercado indica que a escassez de trigo de padrão superior continua sendo o principal fator de suporte aos valores internos. No Rio Grande do Sul, as indicações para o produto disponível permaneceram próximas de R$ 1.320 por tonelada FOB, enquanto lotes classificados como “melhoradores” oscilaram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada.
Mesmo diante de preços firmes, compradores mantêm postura defensiva, aguardando sinais mais claros sobre a oferta da próxima safra antes de ampliar compromissos.
Moinhos reduzem ritmo de compras
Indústrias de moagem adotam estratégia de aquisição apenas para reposição imediata, o que mantém o mercado com pouca liquidez. No Paraná, as propostas de compra giraram em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF, enquanto vendedores pediram entre R$ 1.480 e R$ 1.500 por tonelada FOB.
Para a safra nova, as referências ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.430 por tonelada CIF. Produtores, porém, evitam fechar negócios antecipados diante de incertezas sobre produtividade, qualidade e rentabilidade.
Clima entra no radar
Chuvas registradas nos últimos dias elevaram a preocupação quanto ao impacto na qualidade das lavouras. O analista Elcio Bento alerta que o excesso de umidade pode comprometer não apenas a produtividade, mas também as características industriais do grão, fator decisivo para a formação de preços na próxima temporada.
Cotações físicas praticamente inalteradas
Os valores ao produtor encerraram a semana estáveis nas principais praças:
Paraná
Curitiba: R$ 1.510–1.610/t CIF
Maringá: R$ 1.500–1.600/t
Rio Grande do Sul
Porto Alegre: R$ 1.400–1.480/t CIF
Rio Grande: R$ 1.525–1.605/t
Influência externa
O trigo argentino segue com preços firmes e, junto às oscilações das bolsas internacionais e do câmbio, continua orientando as decisões de compra no Brasil. Agentes seguem atentos à evolução da oferta global e às condições das principais regiões produtoras.
Com estoques curtos, demanda focada em reposições pontuais e expectativa em torno da nova safra, a tendência é de que o mercado doméstico permaneça com baixa liquidez e preços sustentados no curto prazo.
Com informações de Portal do Agronegócio

