Brasília – O deputado Moses Rodrigues (União-CE) apresentou nesta terça-feira (28) ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados parecer que propõe a suspensão, por 60 dias, dos parlamentares Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC).
O relator sustenta que os três oposicionistas, em agosto de 2025, impediram o andamento das sessões ao ocupar fisicamente a Mesa Diretora da Câmara em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para Rodrigues, a atitude configurou “chantagem pela ocupação física dos espaços de deliberação” e exige punição exemplar.
Deputados negam irregularidade
Os parlamentares afirmam que a manifestação está amparada pela imunidade parlamentar. Van Hattem classificou o parecer como “perseguição sem fim” e pediu mobilização para derrubar o texto. Zé Trovão disse ser alvo de “injustiça” por defender a anistia aos investigados dos atos de 8 de janeiro, enquanto Pollon argumentou que tentam “calar um parlamentar por cumprir o dever”.
Outro relatório pede 90 dias para Pollon
Em documento separado, o deputado Ricardo Maia (MDB-BA) recomendou a suspensão de Pollon por 90 dias, acusando-o de ofensas pessoais ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), solicitou vista dos dois relatórios, adiando a votação para 5 de maio.
Protesto durou 30 horas
Durante o ato de 2025, as Mesas Diretoras da Câmara e do Senado ficaram ocupadas por cerca de 30 horas. Sessões foram canceladas e líderes foram convocados para tentar encerrar o impasse. Em determinado momento, Zé Trovão impediu, com a perna, a subida de Motta à Mesa; o presidente levou mais de cinco minutos até conseguir se sentar, após a intervenção de outros deputados. Participantes que não lideraram a ocupação receberam apenas advertências.
Os pareceres devem voltar à pauta do Conselho de Ética na próxima semana, quando poderão ser aprovados, rejeitados ou modificados pelos demais integrantes do colegiado.
Com informações de Gazeta do Povo

