Os contratos futuros de açúcar atravessaram julho com forte instabilidade. Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato bruto para outubro encerrou a sessão de 30 de julho cotado a 14,43 centavos de dólar por libra-peso, ante 14,82 centavos no fim de junho, acumulando recuo mensal de 2,63%.
Safra brasileira limita altas
A expectativa de ampla oferta do Brasil continuou pressionando as cotações. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 43,9 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27 — volume menor que o ciclo anterior, mas ainda um dos maiores da série histórica. Como principal exportador global, o país ajuda a conter movimentos de valorização no mercado externo.
Mesmo assim, chuvas no Centro-Sul reduziram o ritmo de moagem de cana-de-açúcar, alimentando dúvidas sobre o tamanho final da colheita.
Déficit global revisado para cima
A consultoria Green Pool elevou sua estimativa de déficit mundial para a temporada 2026/27 para 3,34 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão anteriormente. O ajuste leva em conta o atraso da moagem no Brasil e o maior direcionamento de cana ao etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar.
O cenário climático adverso também impacta outras regiões. União Europeia, Reino Unido, Rússia e Ucrânia registraram revisões negativas de produção por causa de calor intenso e menor oferta hídrica, o que pode apertar ainda mais o balanço global.
Petróleo e geopolítica ampliam volatilidade
Além dos fundamentos agrícolas, os preços acompanharam oscilações do petróleo, influenciadas por tensões no Oriente Médio. Como a cana pode gerar açúcar ou etanol, variações no petróleo levam investidores a reavaliar o mix de produção das usinas brasileiras, intensificando a oscilação dos contratos futuros.
Olhos voltados para a evolução da safra
Nos próximos meses, o mercado deve seguir atento ao avanço da moagem no Centro-Sul do Brasil, às condições climáticas em outras origens e ao ritmo da demanda global. Enquanto a produção brasileira elevada continua pressionando as cotações, o risco de déficit mundial e possíveis quebras em importantes produtores podem limitar novas quedas.
Com informações de Portal do Agronegócio

