O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nota nesta segunda-feira (21/09/2026) rebatendo as críticas da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), sobre a negativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva em participar da recuperação financeira do Banco de Brasília (BRB). O texto afirma que a União não assumirá o risco do banco enquanto não houver divulgação de balanços auditados e atualizados.
A reação do PT ganhou força depois de Lula chamar a governadora de “cínica” durante ato político em Ceilândia, na última quarta-feira (16). Na ocasião, o presidente afirmou que não colocará recursos federais diretamente na instituição, alvo de perdas bilionárias relacionadas a operações fraudulentas com o Banco Master.
Partido aponta acordo já assinado no STF
Segundo o PT, Celina Leão assinou no Supremo Tribunal Federal um termo que previa solucionar o problema do BRB sem aval da União, argumento que o partido usa para sustentar a posição contrária ao socorro financeiro. A sigla afirma ainda que a resistência federal não decorre de motivações políticas, mas de impedimentos “objetivos”.
Dois obstáculos citados
No comunicado, a legenda elenca dois fatores que inviabilizariam o apoio: a origem criminosa das operações que geraram o rombo no banco e a deterioração da capacidade de pagamento do Distrito Federal. “Nenhuma das duas razões depende de conversa, disposição política ou simpatia pessoal”, diz o texto.
Rombo ainda sem valor definitivo
As estimativas de prejuízo variam: a Polícia Federal fala em até R$ 17 bilhões, o Banco Central calcula R$ 11,4 bilhões e o próprio BRB trabalha com perdas diretas de R$ 8,8 bilhões. Desde março, a instituição adia a divulgação do balanço de 2025, que deve indicar o tamanho real do déficit.
Governadora vê crime; PT pede transparência
No último sábado (18), Celina Leão declarou que a recusa do Planalto em ajudar o BRB “beira o crime”. Em resposta, o PT sustentou que “o dinheiro pertence a todos os brasileiros” e que “o governo federal não vai assinar cheque em branco”. Para o partido, a apresentação de dados completos do banco é condição prévia para qualquer negociação.
Na quinta-feira (17), a Procuradoria-Geral do DF levou as declarações de Lula ao STF, alegando motivação política na postura da União. O PT refutou a acusação e reiterou que o impasse não será resolvido judicialmente, mas com transparência sobre as contas do BRB.
A nota petista conclui que “a conta de uma fraude não pode virar imposto para quem nada teve a ver com ela” e reafirma que o governo federal manterá a recusa enquanto não tiver acesso integral aos demonstrativos financeiros da instituição controlada pelo DF.
Com informações de Gazeta do Povo

