Brasília — O Partido dos Trabalhadores (PT) tornou pública, na noite de segunda-feira (8), uma carta aberta a fiéis evangélicos na tentativa de reduzir a distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e esse segmento às vésperas da disputa eleitoral de 2026. O texto reforça programas sociais do governo, recrimina a “manipulação da fé”, mas evita temas ligados a costumes, como a defesa do “direito à vida”, reivindicados por parte das lideranças religiosas.
Documento após encontro interno
Intitulada “Acreditamos em um Brasil onde a política esteja a serviço da vida”, a carta foi apresentada depois do IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico do PT. No texto, o partido afirma que seus governos “nunca se opuseram às igrejas” e reconhece “a importância e o papel da Igreja Evangélica” no país.
Destaque a programas sociais
Os representantes evangélicos da sigla defendem a ampliação de políticas públicas que, segundo eles, “têm feito diferença na vida do povo brasileiro”. Entre os programas citados estão Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida e Gás do Povo. O partido relaciona ações como combate à fome, valorização do trabalho e proteção dos mais vulneráveis ao que chama de “mensagem de Jesus” e da “melhor tradição evangélica”.
O texto também menciona a necessidade de “democracia, justiça social e Reforma Agrária”, além de apoiar o fim da chamada “escala 61”, argumentando que a mudança traria mais qualidade de vida e tempo com a família para trabalhadores.
Crítica a notícias falsas e à exploração religiosa
Em outro trecho, o documento manifesta preocupação com “notícias falsas”, “discursos de ódio” e tentativas de explorar a fé “para fins políticos ou econômicos”. “O Evangelho nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade”, afirma o partido, acrescentando que a fé não deve ser “instrumento de divisão”.
Leis sancionadas por Lula
O PT recorda que Lula sancionou leis de livre culto, como a que instituiu o Dia Nacional da Música Gospel, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Nacional da Marcha para Jesus. O partido diz “rejeitar toda tentativa de transformar a religião em instrumento de manipulação política” e critica “quem faz do Evangelho um negócio”.
Apoio à reeleição
Ao final, os participantes do encontro sustentam que o apoio à reeleição de Lula “não nasce do uso eleitoral da fé”, mas de uma “avaliação cidadã, democrática e programática” sobre os desafios do país. Eles defendem a continuidade do “projeto democrático e popular” liderado pelo presidente.
Com informações de Gazeta do Povo

