Desde 1947, Câmara dos Deputados e Senado já receberam 511 propostas de lei voltadas ao futebol. Entre elas, várias jamais saíram do papel e hoje chamam atenção pela originalidade. O levantamento foi feito pelo g1 a partir de dados oficiais da Câmara.
Eleição direta para técnico da Seleção
Em 1986, embalado pelo clima das Diretas Já, o deputado Antonio Pontes protocolou o Projeto de Lei (PL) 8.482. A ideia era que o treinador e os dirigentes da Seleção Brasileira fossem eleitos pelo voto popular. Na justificativa, Pontes criticava a lista de convocados de Telê Santana para a Copa do Mundo do México e afirmava que cortes de jogadores sem “qualquer critério” desrespeitavam direitos humanos.
Outros parlamentares tentaram intervir na comissão técnica da Seleção. Em 1990, o deputado Antônio Salim Curiati propôs incluir dois ex-jogadores campeões do mundo no grupo de auxiliares, alegando que a experiência de campo poderia “revigorar” o futebol nacional. Nenhum dos textos avançou.
Antidoping para árbitros
Também em 1986, Antonio Pontes apresentou o PL 8.497, que tornaria obrigatório o exame antidoping para árbitros e assistentes em todo o país. O projeto previa que jogos disputados sem essa checagem não seriam reconhecidos pela Justiça Desportiva.
Uso de vídeo antes da era do VAR
Duas propostas anteciparam o debate sobre recursos eletrônicos na arbitragem. Em 1975, o deputado Ney Lopes sugeriu, no PL 1.563, que gravações das emissoras de TV servissem como prova na Justiça Desportiva. Já em 1982, Pedro Lauro defendeu a instalação de quatro telões nos estádios, permitindo revisão de lances durante as partidas (PL 6.470). Ambas foram rejeitadas; o árbitro de vídeo (VAR) só seria adotado no Campeonato Brasileiro em 2019, por iniciativa da CBF.
Shows obrigatórios no intervalo
Na década de 1970, o deputado Braz Nogueira propôs que bandas amadoras se apresentassem nos intervalos dos jogos como forma de preservar esse tipo de conjunto musical. A ideia foi retomada em 1981 por Daniel Silva (PL 4.561), que argumentou que a música ajudaria a entreter o público e reduzir a violência nos arredores dos estádios. Críticos classificaram a medida como intervenção indevida na livre iniciativa. As duas propostas foram arquivadas.
Apesar da quantidade de projetos — 511 em quase oito décadas —, grande parte deles não chegou a ser votada ou foi rejeitada, deixando apenas o registro de um Congresso que, vez ou outra, tentou mudar as regras do futebol brasileiro.
Com informações de g1

