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Alta na Argentina e atraso da colheita sustentam preços do trigo no Brasil

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O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana terminada em 21 de agosto de 2026 com cotações sustentadas e negócios limitados. A elevação de 7,8% no preço do cereal argentino, aliada à expectativa de uma safra nacional menor e ao ritmo lento da colheita, reduziu a competitividade das importações e manteve o valor pago internamente.

Importação mais cara

Na Argentina, principal fornecedor do Brasil, a tonelada do trigo apto para moagem subiu de US$ 230 para US$ 248. O reajuste encarece a paridade de importação, referência usada por moinhos e tradings, e reforça o viés de alta no mercado doméstico. Segundo Elcio Bento, analista da Safras & Mercado, a oferta de lotes com 11% de proteína está restrita; compradores passaram a tolerar produtos com 10,5%, o que pode elevar ainda mais o custo do grão destinado à indústria brasileira de farinha.

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Demanda fraca trava negócios

Apesar do suporte externo, a comercialização segue lenta no Brasil. A procura por farinha continua fraca, deixando os moinhos cautelosos quanto a novas aquisições. Do outro lado, produtores relutam em aceitar as ofertas atuais, baseadas em um custo de reposição externo mais alto.

Preços regionais

No Paraná, as indicações giraram em torno de R$ 1.450 por tonelada FOB no interior. Nos Campos Gerais, o trigo remanescente da safra anterior alcançou R$ 1.500 por tonelada CIF. Para a nova safra, as ofertas são de aproximadamente R$ 1.450 por tonelada CIF para setembro e R$ 1.400 por tonelada para novembro.

No Rio Grande do Sul, compradores propõem cerca de R$ 1.320 por tonelada FOB, enquanto vendedores pedem R$ 1.350. A diferença de preços, somada a estoques confortáveis de parte dos moinhos até o fim de setembro, mantém o ritmo de negócios contido.

Atraso na colheita

Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, até 14 de agosto, apenas 4,7% da área cultivada havia sido colhida, ante 6,3% no mesmo período de 2025 e média de 6,1% nos últimos cinco anos. O levantamento abrange Goiás, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul, responsáveis por 99,9% da produção nacional.

Risco climático no Sul

No Rio Grande do Sul, o excesso de umidade e a baixa luminosidade elevam o risco de doenças e dificultam operações de manejo, podendo afetar produtividade e qualidade do grão. A necessidade de monitoramento constante das lavouras aumenta em regiões que avançam para fases mais sensíveis de desenvolvimento.

A tendência de curto prazo ainda é de preços firmes, sustentados pelo encarecimento das importações e pela perspectiva de menor oferta interna. Entretanto, o comportamento das cotações dependerá do volume colhido e, principalmente, da qualidade do trigo que chegará aos moinhos nas próximas semanas.

Com informações de Portal do Agronegócio

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