O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começou nesta segunda-feira (25) um ciclo de 15 sessões de radioterapia superficial no couro cabeludo. O tratamento foi prescrito pelo Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, como complemento à cirurgia realizada em abril para a retirada de um carcinoma basocelular, tipo mais comum de câncer de pele.
De acordo com boletim da instituição, o objetivo é prevenir a recidiva da doença. A equipe médica informou que o procedimento não deve provocar efeitos colaterais significativos nem interferir na rotina do presidente. Cada aplicação deve durar cerca de 10 minutos.
O que é o carcinoma basocelular
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o carcinoma basocelular responde por aproximadamente 80% dos cânceres de pele não melanoma no Brasil. O tumor se origina nas células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme, e aparece com maior frequência em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço e couro cabeludo — exatamente onde Lula apresentou a lesão.
Embora raramente provoque metástase, o tumor pode crescer de forma lenta ao longo dos anos, destruindo tecidos próximos e causando deformidades quando não tratado. No caso do presidente, os médicos ressaltaram que a lesão era localizada e não havia disseminação para outras partes do corpo.
Por que associar radioterapia à cirurgia
A cirurgia é considerada o tratamento padrão e costuma atingir taxas de cura superiores a 90%. Entretanto, especialistas indicam radioterapia complementar quando há risco de células tumorais microscópicas permanecerem ou quando a lesão está próxima de estruturas sensíveis, como ossos ou cartilagens.
No couro cabeludo, a combinação de procedimentos pode elevar a taxa de controle da doença para cerca de 95%, explica o radio-oncologista Wilson José de Almeida Jr., presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT). O método utilizado em Lula atua apenas na superfície cutânea e preserva tecidos mais profundos.
Sinais de alerta e fatores de risco
O carcinoma basocelular costuma se manifestar como feridas que não cicatrizam, pequenas lesões que sangram com facilidade, crostas persistentes ou manchas avermelhadas. Pessoas de pele clara, com histórico de queimaduras solares, exposição solar prolongada e idade acima de 40 anos estão no grupo de maior risco.
Prevenção e acompanhamento
Dermatologistas recomendam proteção solar diária — protetor, chapéus, roupas com filtro UV e evitar exposição intensa entre 10h e 16h. Pacientes que já trataram o carcinoma devem manter consultas periódicas, pois há chance aumentada de surgirem novas lesões.
Com o tratamento preventivo em andamento, Lula segue agenda normal no Palácio do Planalto, segundo informou sua assessoria.
Com informações de g1.globo.com

