A Polícia Federal (PF) informou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a Operação Sem Desconto – responsável por apurar um esquema bilionário de descontos ilegais em benefícios do INSS – enfrenta déficit de servidores e precisará de mais tempo para concluir as diligências. A investigação mira, entre outros alvos, a relação entre Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pedido de prorrogação
Com apenas dez policiais dedicados ao caso – número quatro vezes menor que o considerado ideal pela própria corporação –, a PF solicitou em junho a prorrogação do inquérito por mais 60 dias. Metade do material apreendido desde a primeira fase da operação, deflagrada em abril de 2025, ainda aguarda análise. No ritmo atual, os investigadores calculam que seriam necessários pelo menos seis meses para finalizar o trabalho.
Diligências em andamento
Entre as medidas autorizadas pelo STF estão quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático de diversos investigados, inclusive de Lulinha. Os investigadores querem esclarecer a eventual proximidade entre ele e Antunes, apontado como peça central nas fraudes contra aposentados e pensionistas.
Mudanças na equipe
Em abril, a PF trocou a coordenação interna do inquérito, removendo o delegado que havia requerido ao STF o acesso a dados bancários de pessoas ligadas ao caso, entre elas Lulinha. A coincidência entre o pedido de quebra de sigilo e a substituição do delegado gerou questionamentos dentro da corporação e no Judiciário sobre possível impacto na celeridade do processo.
Defesa de Lulinha
Os advogados de Fábio Luís Lula da Silva negam qualquer relação comercial com o “Careca do INSS” e afirmam que, quando houve contato entre eles, não havia conhecimento de fraudes no instituto de previdência.
Contexto político
A Operação Sem Desconto não é o único procedimento sensível sob relatoria de André Mendonça. A Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, também tramita no gabinete do ministro e já alcançou o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), na nona fase, em junho.
Remanejamento de policiais
Paralelamente, o governo federal determinou o retorno de mais de cem servidores das forças de segurança que estavam cedidos a outros órgãos, medida anunciada como reforço ao combate ao crime organizado. Tribunais e autarquias foram afetados, mas gabinetes de ministros do STF, inclusive o de Mendonça, ficaram fora da convocação. Investigadores temem que o remanejamento reduza o apoio técnico às apurações em curso, enquanto o inquérito do INSS segue com efetivo reduzido.
Posicionamento oficial
O Ministério da Justiça e a direção da Polícia Federal negam motivação política nas mudanças e sustentam que as decisões têm caráter exclusivamente administrativo. Até o fechamento desta reportagem, os órgãos não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre os critérios adotados na convocação de servidores.
Especialistas em direito constitucional e segurança pública avaliam que as coincidências de cronograma não configuram, por si só, interferência direta, mas defendem monitoramento contínuo para garantir a independência das investigações.
Com informações de Gazeta do Povo

