O Palácio do Planalto avalia que o telefonema de 1h20 realizado na sexta-feira, 21 de agosto, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, abriu uma nova janela para tentar reverter as tarifas que passaram a incidir sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
Reativação das tratativas
De acordo com nota divulgada pela Presidência, Trump endossou o retorno das negociações comerciais e sugeriu que representantes dos dois governos se reúnam “o mais brevemente possível”. Poucas horas depois da conversa, o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, contatou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ambos agendaram videoconferência para a próxima semana.
Tarifas podem chegar a 37,5%
O diálogo bilateral estava suspenso desde o mês passado, quando o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu duas investigações que resultaram em novas alíquotas: 25% aplicados exclusivamente ao Brasil por supostas práticas comerciais desleais e 12,5% contra 60 economias, incluindo o Brasil, por alegado combate insuficiente ao trabalho forçado. Na prática, a cobrança combinada pode elevar em até 37,5% o custo das exportações brasileiras.
Escalada de tensão diplomática
A sobretaxa de 25% aumentou o atrito entre os países. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que a medida decorreu da falta de “boa-fé” de Lula nas negociações. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, reagiu classificando a declaração como “grosseira e arrogante”. O governo brasileiro sustenta que a motivação de Washington é política, já que os EUA registram superávit na balança comercial com o Brasil.
Impacto eleitoral
Interlocutores do Planalto reconhecem que avanços concretos nas tarifas são improváveis antes da eleição presidencial de outubro. A administração norte-americana pretende evitar movimentos que possam influenciar a disputa entre Lula e o candidato alinhado a Trump, Flávio Bolsonaro (PL). Qualquer revisão ficaria para depois da definição do próximo presidente brasileiro.
Outros temas da ligação
Além do “tarifaço”, Lula abordou o combate ao crime organizado e conflitos internacionais, incluindo a guerra na Ucrânia e tensões no Oriente Médio. Trump iniciou o diálogo perguntando sobre o andamento do processo eleitoral brasileiro; Lula respondeu que a campanha transcorre normalmente e reiterou a segurança do sistema de votação.
A solicitação para o contato partiu do presidente brasileiro. Segundo auxiliares do Planalto, o tom foi cordial e o chefe da Casa Branca elogiou a trajetória política de Lula, comprometendo-se a manter um canal direto de comunicação.
Com informações de Metrópoles

