O mercado brasileiro de feijão concluiu a semana encerrada em 25 de setembro de 2026 com preços sustentados, porém com volume de negócios reduzido. No segmento de feijão carioca, lotes de qualidade extra chegaram a R$ 360 por saca em operações pontuais. Já o feijão preto avançou e começou a negociar próximo de R$ 300 por saca em algumas regiões.
Menor oferta e retenção de vendedores mantêm cotações firmes
De acordo com o analista Evandro Oliveira, da Safras & Mercado, a baixa disponibilidade, a postura mais cautelosa dos produtores e o aumento dos custos de reposição sustentam os preços. Do lado comprador, as aquisições seguem restritas às necessidades imediatas.
Referências regionais do feijão carioca
No interior de São Paulo, as negociações FOB oscilaram entre R$ 350 e R$ 355 por saca. Em Minas Gerais, os valores ficaram entre R$ 318 e R$ 322, enquanto em Goiás variaram de R$ 306 a R$ 312. A valorização perdeu força porque parte dos empacotadores recebeu cargas acertadas anteriormente, reduzindo a urgência de novas compras.
Qualidade pesa mais que o preço nominal
Compradores intensificaram a seletividade. Lotes nota 7,5 oferecidos a cerca de R$ 310 por saca CIF São Paulo perderam atratividade diante dos padrões superiores. Produtos nota 8 e 8,5, negociados de R$ 325 a R$ 340, foram os mais procurados. Quebra, rendimento industrial e uniformidade passaram a ser critérios decisivos nas aquisições.
Feijão preto se aproxima de R$ 300
O feijão preto registrou o maior avanço da semana. No Paraná, o tipo extra superou R$ 260 por saca e mira R$ 270. Em Santa Catarina, as cotações permaneceram nesse intervalo. No interior paulista, os preços subiram para uma faixa de R$ 295 a quase R$ 300 por saca FOB, colocando a barreira de R$ 300 como novo referencial.
Importado da Argentina, o feijão preto perdeu competitividade. As ofertas giraram em torno de R$ 300 por saca, sem confirmação de negócios, aproximando-se do custo do produto doméstico.
Safra menor no Paraná eleva preocupação com a oferta
Para a temporada 2026/27, o Paraná projeta colheita de 177,7 mil toneladas, 8% inferior ao ciclo anterior, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). A área cultivada deve cair 14%, para 88,3 mil hectares. Embora a produtividade média estimada seja de 2.013 kg/ha, a influência do fenômeno El Niño sobre o regime de chuvas pode alterar esse resultado.
O desempenho da demanda em outubro, o ritmo de reposição no varejo e o andamento da primeira safra deverão indicar se o feijão carioca manterá o patamar de R$ 360 por saca e se o feijão preto consolidará a marca de R$ 300.
Com informações de Portal do Agronegócio

