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Reinaldo Azevedo contrapõe “complexo de vira-latas” de Nelson Rodrigues a editorial de O Globo que prevê bancarrota do país

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O jornalista Reinaldo Azevedo publicou, neste domingo (16/6), coluna na qual associa a expressão “complexo de vira-latas”, cunhada por Nelson Rodrigues em 31 de maio de 1958, ao tom do editorial de O Globo de 14 de junho, intitulado “Incúria fiscal de Lula e Congresso é crime contra o país”. Segundo Azevedo, ambas as peças dialogam por exibirem visões opostas sobre o Brasil: enquanto o dramaturgo conclamava à autoconfiança nacional, o jornal carioca antevê a “bancarrota” caso o governo mantenha a política de gastos.

Origem do termo

Na crônica esportiva publicada na revista Manchete Esportiva, Nelson Rodrigues usou “complexo de vira-latas” para descrever a postura de inferioridade voluntária que, à época, atribuía aos brasileiros diante de seleções estrangeiras, especialmente no futebol. O texto antecedeu a Copa de 1958, torneio em que o Brasil conquistaria seu primeiro título mundial.

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Críticas ao pessimismo atual

Azevedo argumenta que, ao longo das décadas, a expressão perdeu o sentido original e passou a embasar um discurso de exclusão política e social. Para ilustrar, relata conversa ouvida em uma sala de exame médico, na qual um torcedor atribuía eventual fracasso da seleção ao “jeito” dos brasileiros e ao governo Lula.

Editorial classificado como “pit bull”

No centro da crítica está o editorial de O Globo que, já no título, classifica a condução fiscal do Executivo e do Congresso como “crime contra o país” e prevê que, caso reeleitos, os atuais dirigentes “herdarão de si mesmos um país levado à bancarrota”. Azevedo vê na peça retórica semelhante à utilizada pelo mesmo jornal em 1º de abril de 1964, quando o periódico apoiou o golpe militar, postura da qual se retratou somente em 31 de agosto de 2013.

Paralelo histórico

O colunista recorda que o editorial de 1964 saudava a intervenção das Forças Armadas para “salvar a democracia, a lei e a ordem”. Para ele, o uso recorrente de previsões catastróficas pode servir de justificativa a soluções autoritárias, motivo pelo qual alerta contra o que chama de “complexo de pit bull” — crítica à retórica agressiva presente, segundo o autor, tanto no debate econômico quanto na pauta da segurança pública.

Ao encerrar, Azevedo retoma o apelo de Nelson Rodrigues para que o Brasil se reconheça capaz, sem recorrer à autodepreciação nem ao discurso alarmista, e recomenda cautela diante de narrativas que apontam o país rumo ao colapso inevitável.

Com informações de Metrópoles

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