A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na terça-feira (16), manter a prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no Caso Master. O desfecho, segundo ministros e auxiliares ouvidos nos bastidores, escancarou tensões internas e marcou posições distintas entre os integrantes do colegiado.
Voto do relator
Relator do processo, o ministro André Mendonça abriu a sessão destacando três pontos: a investigação ainda está em curso, há tentativa de interferir no inquérito e a tendência é de que o clima se torne mais tenso quando novos episódios chegarem à Turma. Mendonça defendeu que Henrique Vorcaro continua praticando crimes, argumento que, para ele, justifica a manutenção da prisão.
Expectativa sobre Nunes Marques
O ministro Kassio Nunes Marques era visto como voto-chave. Sob forte pressão de diferentes lados, ele acompanhou Mendonça, repetindo a posição que havia adotado quando a Turma analisou a situação de Daniel Vorcaro. Fontes da Corte afirmam que pesaram contra Henrique as provas reunidas pela Polícia Federal e a gravidade das suspeitas.
Divergência de Gilmar Mendes
Único a divergir, o ministro Gilmar Mendes questionou a necessidade de manter Henrique Vorcaro preso, lembrando que executivos ligados diretamente ao Banco Master já foram soltos. Para Gilmar, a medida fere o princípio da isonomia e pode servir para pressionar Daniel Vorcaro a firmar acordo de delação premiada, prática comparada por ele aos métodos da extinta Operação Lava Jato.
Ausência de Toffoli
Embora integre a Segunda Turma, o ministro Dias Toffoli não participou do julgamento. Com isso, o resultado refletiu apenas os votos de Mendonça, Nunes Marques e Gilmar Mendes.
Nos bastidores, a sessão foi entendida como uma fotografia do momento: fissuras expostas, recados diretos e sinal de que a disputa em torno do Caso Master está longe de ser encerrada.
Com informações de G1

