O mercado de arroz do Rio Grande do Sul, principal polo produtor do país, encerrou a semana de 21 de agosto com o preço da saca de 50 quilos próximo a R$ 80. O movimento é sustentado pela redução da oferta negociável, resultado de clima chuvoso, atraso no preparo das lavouras e menor acesso a crédito.
Produtores seguram estoques
Com incertezas sobre a safra 2026/27, orizicultores gaúchos adotam postura cautelosa. Segundo Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, muitos produtores preferem manter o cereal nos armazéns, avaliando que os valores podem subir ainda mais. A retenção de lotes estreitou a disponibilidade e reforçou a escalada das cotações na origem.
Clima atrasa trabalhos no campo
Na Fronteira Oeste, um período de 15 a 20 dias de chuvas interrompeu a preparação do solo, aumentando o risco de atrasos na janela de plantio. Embora ainda não haja indicação de quebra de produtividade, a possibilidade de problemas operacionais alimenta a defesa dos vendedores.
Indústria encontra limite para repasse
O avanço do custo do arroz em casca não está sendo integralmente repassado à cadeia seguinte. No Sul, o fardo de arroz beneficiado é comercializado entre R$ 104 e R$ 110, mas atacado e varejo resistem a novos ajustes. A dificuldade de transferir os aumentos estreita as margens das beneficiadoras, que tendem a comprar apenas o necessário para curto prazo.
Indicador sobe mais de 21% em um mês
O Indicador Safras para arroz em casca no Rio Grande do Sul (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) fechou a quinta-feira a R$ 77,81 por saca: alta semanal de 3,61%, avanço de 21,60% em relação a 30 dias e ganho de 12,12% frente a igual período de 2025.
Analistas avaliam que a sustentação do preço em torno de R$ 80 dependerá da capacidade de a indústria absorver novos custos. Caso o consumo retraia ou surjam volumes adicionais no mercado, o fôlego de alta pode diminuir.
Com informações de Portal do Agronegócio

