Brasília – A eleição presidencial marcada para outubro de 2026 deve registrar o maior índice de abstenção desde 1989, segundo projeções baseadas no histórico dos últimos cinco pleitos. Se a tendência se mantiver, mais de 35 milhões de brasileiros podem ficar longe das urnas, elevando o percentual de ausentes para algo acima de 22% do eleitorado apto, estimado em 158 milhões de pessoas.
Escalada contínua desde 2006
O crescimento da abstenção vem ocorrendo de forma ininterrupta há cinco eleições. Em 2006, 16,75% dos eleitores não compareceram. Em 2022, o índice chegou a 20,95%, o que representou 33 milhões de ausentes. Caso avance para 22% em 2026, o total de faltosos ultrapassará a barreira de 35 milhões.
Desinteresse e fadiga política
Especialistas ouvidos apontam que décadas de crises, escândalos de corrupção e dois impeachments contribuíram para um afastamento gradual do eleitorado. Além disso, a forte polarização vista nas últimas disputas — mesmo com candidaturas de Lula e Jair Bolsonaro em 2018 e 2022 — não conseguiu reverter o desânimo; parte do público moderado prefere não votar a escolher entre opções consideradas insatisfatórias.
Mudança geracional influencia decisão
A percepção sobre o voto também mudou entre os mais jovens. Para esse grupo, o ato de votar é encarado de maneira mais pragmática do que pelas gerações que lutaram pela redemocratização, para as quais ir às urnas era visto como um dever cívico incontestável.
Barreiras práticas agravam o problema
Questões logísticas e financeiras reforçam a ausência. Muitos eleitores residem longe do domicílio eleitoral e não transferiram o título. A multa por não votar, de R$ 3,50, é considerada baixa e não compensa custos de deslocamento ou organização pessoal, tornando o comparecimento menos atraente para quem já demonstra pouco interesse.
Preocupação das campanhas
Analistas políticos alertam que as equipes dos pré-candidatos ainda carecem de estratégias claras para reconquistar esse contingente de eleitores. O volume de abstenções pode alterar o resultado final, redistribuindo votos válidos entre os concorrentes.
Com a possibilidade de novo recorde de ausentes, a abstenção se consolida como variável decisiva a ser monitorada na corrida presidencial de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo

