O mercado brasileiro de milho fechou a semana de 10 de julho de 2026 em alta, sustentado pela combinação de clima desfavorável nos Estados Unidos, ritmo lento da colheita da segunda safra e postura retraída dos produtores no País.
Pressão externa
Relatório da Safras & Mercado indica que previsões de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média no Meio-Oeste norte-americano aumentaram a volatilidade dos contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT). A especulação climática no maior produtor mundial repercutiu diretamente nas cotações internas.
Safrinha avança devagar
No Brasil, as chuvas das últimas semanas mantiveram a umidade dos grãos elevada e dificultaram a entrada de máquinas nas lavouras, especialmente em estados centrais. Com oferta imediata restrita, vendedores seguraram lotes, o que ajudou a firmar os preços.
Câmbio limita prêmios nos portos
A valorização do real frente ao dólar reduziu a competitividade do cereal brasileiro no exterior. Apesar do ganho nos futuros de Chicago, os prêmios de exportação se mantiveram contidos, restringindo o repasse da alta aos preços nos terminais.
Indicador nacional
A saca de 60 quilos foi negociada a R$ 60,87 em 9 de julho, avanço de 1,22% ante os R$ 60,14 da semana anterior.
Cotações no mercado físico
Campinas (SP/CIF): R$ 66,00/saca (estável)
Cascavel (PR): R$ 60,00/saca (estável)
Mogiana (SP): R$ 58,00/saca (estável)
Rondonópolis (MT): R$ 56,00/saca (+5,66%)
Uberlândia (MG): R$ 60,00/saca (+3,45%)
Rio Verde (GO): R$ 55,00/saca (estável)
Erechim (RS): R$ 69,00/saca (estável)
O maior avanço ocorreu em Mato Grosso, reflexo da menor disponibilidade imediata.
Exportações mais lentas no início de julho
Nos três primeiros dias úteis do mês, o Brasil embarcou 120,311 mil toneladas, gerando US$ 30,607 milhões em receita. A média diária ficou em 40,103 mil toneladas e US$ 10,202 milhões, quedas de 62,1% e 53%, respectivamente, frente a igual período de 2025. O preço médio da tonelada subiu 24%, para US$ 254,40.
Fatores a acompanhar
Analistas apontam que a direção dos preços nas próximas semanas dependerá das condições climáticas nos Estados Unidos, do ritmo da colheita da safrinha e do comportamento do câmbio. Persistindo o risco de quebra na safra norte-americana e a oferta limitada no mercado interno, as cotações tendem a permanecer firmes. Uma aceleração na colheita pode reduzir a pressão altista e aumentar a liquidez.
Com informações de Portal do Agronegócio

