Os preços internacionais do açúcar subiram com força em agosto e devem conviver com menor oferta do Brasil na safra 2026/27, indica o relatório AgroInfo 2026, elaborado pelo RaboResearch, do Rabobank. O documento destaca que a cotação do açúcar bruto em Nova York, após meses em torno de 14,5 centavos de dólar por libra-peso, atingiu 17,5 centavos no contrato de outubro em 19 de agosto, enquanto os vencimentos de março e maio de 2027 já superam 18 centavos.
Na média dos três meses anteriores, a valorização alcançou cerca de 20 % em dólar e 23 % em reais, influência adicional da desvalorização do real.
El Niño adiciona prêmio climático
Segundo o Rabobank, o mercado passou a embutir um prêmio de risco devido ao El Niño. Chuvas acima do normal podem interromper a colheita no Centro-Sul e impedir o processamento de toda a cana antes do fim da temporada. Para a moagem da região, o banco mantém projeção entre 630 milhões e 645 milhões de toneladas.
Produção de açúcar já está atrás do ciclo anterior
Até julho, as usinas do Centro-Sul fabricaram 16,9 milhões de toneladas de açúcar, ante 19,2 milhões no mesmo período de 2025/26. Para repetir as 40,4 milhões de toneladas produzidas no ciclo passado, seria necessário destinar cerca de 53 % da cana ao adoçante entre agosto e o encerramento da safra, hipótese considerada improvável. O banco avalia como praticamente certa a redução da produção de açúcar em 2026/27; resta medir a sua dimensão.
Etanol atrai maior parte da cana
Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia mostram que apenas 42,5 % da cana processada entre abril e junho virou açúcar. Informações do Ministério da Agricultura elevam o mix açucareiro para 44 % no intervalo de abril a julho, sinalizando forte migração para o etanol, favorecida por melhor rentabilidade do biocombustível.
Com a recente alta do açúcar, a correlação de preços pode estimular algumas usinas a aumentar a fabricação do adoçante, mas a reação depende de capacidade industrial, qualidade da matéria-prima, clima e valores do etanol no mercado interno.
Etanol começa a reagir
O Rabobank observa recuperação dos preços do etanol em agosto, embora ainda não haja clareza se o movimento decorre da valorização do açúcar ou de maior demanda nos postos. A elevação do adoçante aumenta o custo de oportunidade para produzir etanol e pode restringir a oferta do combustível.
Índia reforça preocupação com oferta global
No front externo, a Índia autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar para conter alta interna de preços. Além disso, chuvas de monção abaixo da média intensificam a incerteza sobre a safra indiana 2026/27, que começa no quarto trimestre, fator que também sustentou o avanço das cotações em Nova York.
Marco legal dos biocombustíveis
O relatório cita ainda o Projeto de Lei Complementar 114/2026, aprovado pelo Congresso e encaminhado à sanção presidencial, cujo objetivo é preservar a competitividade dos biocombustíveis diante de eventuais mudanças tributárias sobre gasolina e diesel.
Para o Rabobank, a segunda metade da safra será marcada por maior volatilidade. A dúvida principal já não é se a produção brasileira de açúcar cairá, mas qual será o tamanho dessa redução.
Com informações de Portal do Agronegócio

