Brasília / Washington, 27 de agosto de 2026 – A prévia da inflação brasileira registrou deflação de 0,40% em agosto, enquanto o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) dos Estados Unidos avançou 0,2% em julho. Os dois indicadores, divulgados nesta quinta-feira (27), foram acompanhados de perto pelos mercados e sinalizam manutenção de cautela tanto do Banco Central do Brasil quanto do Federal Reserve.
IPCA-15 tem primeira variação negativa em 12 meses
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou a primeira queda mensal desde agosto de 2025. O resultado superou a mediana das projeções, que apontava retração de 0,31%. Com o recuo, a taxa acumulada em 12 meses baixou de 4,52% para 4,24%, permanecendo abaixo do teto da meta.
Três grupos concentraram o alívio:
- Habitação: –1,41%, com destaque para energia elétrica residencial (–6,25%).
- Transportes: –1,00%, influenciado por combustíveis e passagens aéreas.
- Alimentação: –0,57%, puxada pelos produtos consumidos em casa (–0,97%).
A queda da conta de luz retirou cerca de 0,26 ponto percentual do IPCA-15 devido ao crédito de R$ 872 milhões do bônus de Itaipu autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse repasse é pontual e não altera a tarifa regulada, devendo gerar efeito-base inverso em setembro.
PCE reforça expectativa de juros estáveis nos EUA
Nos Estados Unidos, o PCE subiu 0,2% em julho e acumula alta de 3,7% em 12 meses. O núcleo, que exclui itens voláteis e serve de referência para o Fed, também avançou 0,2%, mantendo a variação anual em 3,3%.
Indicadores de atividade mostraram sinais mistos: a renda disponível real cresceu 0,4% no mês, mas os gastos reais das famílias ficaram estáveis. A taxa de poupança subiu de 2,6% para 3%, ainda abaixo da média histórica de 6%.
Com inflação moderando e Produto Interno Bruto avançando 1,5% no segundo trimestre, analistas avaliam que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) dispõe de margem para manter a taxa dos fed funds entre 3,50% e 3,75% na reunião de setembro.
Próximos passos dos bancos centrais
No Brasil, a desinflação corrente reduz a pressão imediata por aperto adicional, mas o Banco Central seguirá observando núcleos de inflação, mercado de trabalho, câmbio e preços de commodities para calibrar a política monetária.
Sem novos choques de oferta, a combinação de inflação controlada e crescimento moderado também permite ao Federal Reserve sustentar uma postura monetária restritiva sem ajustes de curto prazo.
Os próximos relatórios de emprego nos Estados Unidos e a leitura do IPCA-15 de setembro serão determinantes para a trajetória futura de juros em ambas as economias.
Com informações de Portal do Agronegócio

