Um exemplar de tubarão-da-Groenlândia com cerca de 3 metros de comprimento e mais de 150 anos foi encontrado morto em abril de 2026 na faixa de maré do condado de Sligo, costa oeste da Irlanda. Foi o primeiro registro da espécie encalhada no país.
Resgate e transporte
Após ser localizado por pesquisadores e voluntários, o animal – que pesava pouco mais de 200 kg – teve o corpo coberto com algas para evitar o ataque de aves. No dia seguinte, uma operação coordenada pelo Museu Nacional da Irlanda utilizou um guindaste para remover o tubarão da praia e levá-lo a um laboratório veterinário regional.
Necropsia detalhada
Usando máscaras, luvas e macacões, especialistas de várias instituições iniciaram a necropsia em ambiente ventilado, seguindo protocolos de biossegurança que consideram a possibilidade de microrganismos antigos presentes em animais tão longevos.
Entre os achados:
- Fígado de 50 kg, retirado inteiro para exames químicos e histológicos.
- Coração de 34 kg, aparentemente saudável, mesmo após um século e meio de batimentos.
- Pele recoberta por dentículos coletada para taxidermia e futura exposição no museu.
- Lentes oculares removidas para datação por carbono-14, método que deve confirmar a idade do tubarão.
- Amostras musculares separadas para análise de telômeros – estruturas que encurtam com a idade.
O animal mais longevo entre os vertebrados
Estudos indicam que o tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) pode viver entre 300 e 500 anos, atingindo a maturidade apenas por volta dos 150 anos. Alguns indivíduos que nadam hoje podem ter sido contemporâneos de Shakespeare.
Adaptado a águas frias do Atlântico Norte e do Ártico, o tubarão apresenta substâncias anticongelantes no organismo, o que torna sua carne tóxica para consumo humano. A espécie nada devagar, alimenta-se de carcaças e, ocasionalmente, captura focas vivas por sucção.
Mistérios ainda sem resposta
Apesar do tamanho e da ampla distribuição, pouco se sabe sobre reprodução, áreas de acasalamento e número de filhotes. Apenas uma fêmea grávida foi registrada até hoje, o que dificulta estimativas populacionais e estratégias de conservação.
Visão que atravessa séculos
Contrariando a ideia de que seriam quase cegos, pesquisa publicada em 2026 mostrou que olhos e retinas desses tubarões mantêm células funcionais por mais de 100 anos. Genes ligados a reparo de DNA aparecem especialmente ativos, o que pode explicar a resistência do sistema visual ao envelhecimento.
Próximos passos
Exames laboratoriais avaliarão possíveis causas da morte – a necropsia inicial não encontrou cortes, lesões ou marcas de redes de pesca. Resultados também devem contribuir para entender como órgãos vitais se mantêm operantes por séculos e quais mecanismos moleculares retardam a senescência.
Apesar de “idoso” em parâmetros humanos, o tubarão irlandês havia acabado de atingir a idade reprodutiva para sua espécie. Segundo os pesquisadores, desvendar os segredos de sua longevidade pode oferecer pistas valiosas não apenas para a conservação do animal, mas também para a ciência do envelhecimento.
Com informações de BBC News Brasil

