Brasília — O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, concedeu liminar que determina à empresa AtlasIntel a retirada de uma pesquisa eleitoral publicada em seu site. A decisão atendeu a um pedido do Partido Liberal (PL), que alegou “indução de respostas” no questionário aplicado pelo instituto.
O PL argumentou que o levantamento apresentava aos entrevistados um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicita US$ 24 milhões ao empresário Daniel Vorcaro. Para a legenda, o material influenciaria a opinião dos respondentes sobre a eleição presidencial. Segundo o despacho de Nunes Marques, o conteúdo deve permanecer indisponível até análise definitiva do colegiado do TSE.
Pedido de vista adia análise colegiada
O caso começou a ser julgado no plenário virtual da Corte, mas foi suspenso nesta semana após a ministra Estela Aranha pedir vista. Ainda não há nova data para a retomada. Além dela, compõem o colegiado os ministros André Mendonça (vice-presidente), Dias Toffoli, Antônio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques.
Possível recurso ao STF
A defesa da AtlasIntel avalia recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a liminar seja mantida. O instrumento discutido é um Recurso Extraordinário, sob o argumento de que a medida configura censura prévia e viola dispositivos constitucionais sobre liberdade de expressão e de informação.
Centralização de processos sobre pesquisas
Em outra decisão administrativa, o presidente do TSE determinou que ações relacionadas a pesquisas eleitorais sejam distribuídas prioritariamente a três gabinetes: o dele próprio, o do vice-presidente André Mendonça e o da ministra Estela Aranha. A medida busca, segundo a Corte, dar celeridade aos processos, mas foi criticada por advogados eleitorais por concentrar decisões em um número reduzido de ministros.
Números contestados
A AtlasIntel divulgou, entre fevereiro e abril deste ano, levantamentos que colocavam Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em maio, o senador caiu seis pontos, segundo o instituto. O PL contestou os resultados imediatamente após a divulgação dessa última rodada.
Declaração de Andrei Roman
Em 21 de agosto de 2025, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, declarou à BBC Brasil que, “em situação normal”, Lula teria “chance maior de perder do que de ganhar” a reeleição, por supostamente ter perdido o “bônus Nordeste”. Ele ponderou, porém, que fatores conjunturais, como o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a um candidato, poderiam alterar o cenário.
Com a retirada do estudo do ar, partidos, institutos de pesquisa e especialistas aguardam a decisão final do TSE para saber se a liminar abrirá precedente a novas contestações de questionários eleitorais durante o pleito deste ano.
Com informações de Metrópoles

