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Ministro Mauro Vieira classifica ataques de Milei como “grosseiros” e pede explicações formais

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Brasília — O chanceler brasileiro Mauro Vieira disse nesta segunda-feira (27) que as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, feitas na convenção nacional do PL no sábado (25), foram “ríspidas, grosseiras e inaceitáveis”. O Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, para transmitir a insatisfação do governo brasileiro e solicitar esclarecimentos formais.

Em entrevista à TV Globo, Vieira afirmou que considera grave o fato de Milei ter usado território brasileiro para atacar autoridades nacionais. “Precisamos de explicações do governo argentino sobre o motivo de o presidente ter vindo ao Brasil para fazer esse tipo de manifestação”, declarou.

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Medidas diplomáticas em avaliação

Apesar da reprovação, o ministro descartou, por ora, medidas mais severas, como a retirada de embaixadores. “A retirada é um passo de grande gravidade. Nosso objetivo imediato é preservar os canais de diálogo”, explicou.

Paralelamente, o Itamaraty convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para relatar a situação da relação bilateral após o episódio.

Discurso com ataques a autoridades brasileiras

Durante cerca de 30 minutos, Milei chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário” e se referiu ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes como “lixo careca”. O argentino também afirmou que a América Latina vive a ascensão de governos de direita e vinculou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a esse movimento.

Parceria comercial continua relevante

Apesar do atrito, Brasil e Argentina mantêm forte integração econômica. No ano passado, as exportações brasileiras para o país vizinho somaram US$ 18,1 bilhões, crescimento de 31,4 % em relação a 2024, elevando a participação argentina para 5,2 % do total exportado — o maior patamar desde 2018.

Os principais itens comercializados foram veículos de passeio, caminhões, autopeças e produtos da indústria de transformação, setor impulsionado pelo aumento da demanda argentina e que ajudou a compensar parcialmente a desaceleração de vendas para os Estados Unidos.

Com informações de Gazeta do Povo

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