O excesso de animais prontos para o abate manteve a pressão sobre a suinocultura brasileira em agosto, provocando quedas generalizadas nos preços do suíno vivo, da carcaça e dos principais cortes no atacado.
Oferta elevada impede reação do mercado
Segundo o analista da Safras & Mercado, Allan Maia, a ampla disponibilidade de suínos favoreceu uma postura cautelosa das indústrias, que reduziram as propostas de compra. Em julho, o país registrou o segundo maior volume mensal de abate de sua história, ampliando os estoques de carne no mercado interno.
Quedas nas principais regiões produtoras
O levantamento mensal da Safras & Mercado apontou recuo de 4,42% no preço médio do suíno vivo no Centro-Sul, de R$ 5,00 para R$ 4,77 por quilo. A carcaça perdeu 2,91%, caindo de R$ 7,73 para R$ 7,50 por quilo, enquanto o pernil no atacado baixou 1,19%, de R$ 9,60 para R$ 9,49.
Em São Paulo, a arroba recuou de R$ 97 para R$ 95. No Sul, região líder em produção de carne suína, os preços também cederam:
- Rio Grande do Sul: integração de R$ 5,05 para R$ 4,80 por quilo; mercado interno de R$ 4,85 para R$ 4,65.
- Santa Catarina: integração de R$ 4,95 para R$ 4,65; interior de R$ 4,80 para R$ 4,60.
- Paraná: mercado independente de R$ 4,80 para R$ 4,60; integração de R$ 5,40 para R$ 5,05.
No Centro-Oeste e em Minas Gerais, a tendência foi semelhante. Campo Grande (MS) registrou queda de R$ 4,90 para R$ 4,70 por quilo; em Goiânia (GO), de R$ 5,00 para R$ 4,90. No interior mineiro, a cotação caiu de R$ 5,30 para R$ 5,00, e o mercado independente passou de R$ 5,40 para R$ 5,20.
Exportações crescem em volume, mas valor recua
Mesmo com embarques firmes, o recuo no preço médio pago pelo produto brasileiro limitou o alívio ao setor. Nos 15 dias úteis de agosto, as exportações de carne suína in natura somaram 78,649 mil toneladas (média diária de 5,243 mil t) e receita de US$ 184,187 milhões (média diária de US$ 12,279 milhões). O valor médio foi de US$ 2.341,90 por tonelada.
Na comparação com agosto de 2025, o volume diário avançou 2,4%, mas o preço médio caiu 9,2%, resultando em retração de 7% na receita por dia útil.
Margens seguem apertadas
A combinação de oferta interna elevada e remuneração externa menor mantém a renda dos produtores sob forte pressão. A evolução dos abates, o ritmo de consumo doméstico e a recuperação dos preços internacionais serão decisivos para a formação das cotações nos próximos meses.
Com informações de Portal do Agronegócio

