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Resistência de produtores e falta de lotes de qualidade seguram preços do feijão no Brasil

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Os preços do feijão fecharam a primeira semana de setembro em ritmo lento de negociações, mas sustentados pela postura cautelosa dos produtores e pela oferta restrita de grãos de alta qualidade. Enquanto o feijão carioca de melhor padrão segue com valores firmes, o feijão preto mantém estabilidade devido ao menor volume disponível no mercado interno.

Compras seletivas marcam o início do mês

O começo de setembro estimulou reposições pontuais por parte dos empacotadores, porém ainda sem indicar recuperação consistente da demanda. De acordo com o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, os compradores continuam focados apenas em suprir necessidades imediatas.

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Feijão carioca: qualidade define o preço

Em Minas Gerais e Goiás, produtores trabalham principalmente entre R$ 280 e R$ 300 por saca de 60 quilos, recusando propostas abaixo de R$ 300 quando o lote apresenta cor viva, boa peneira e umidade dentro do padrão comercial.

Na Bolsa de Cereais de São Paulo, a diferenciação por qualidade ficou mais evidente:

  • Intermediário: R$ 305 por saca CIF (pedidos dos vendedores chegam a R$ 315);
  • Nota 9: R$ 315 por saca CIF (ofertas chegam a R$ 325);
  • Extra 9,5: R$ 325 por saca CIF (pedidos até R$ 335).

Diferença regional de cotações

No interior paulista, o feijão carioca 9+ gira em torno de R$ 325 por saca FOB, enquanto os lotes 8 a 8,5 ficam perto de R$ 300. No Triângulo Mineiro, as indicações são de R$ 298 para 9+ e R$ 273 para 8 a 8,5. No leste de Goiás, os preços estão em R$ 291 e R$ 275, respectivamente. A praça de Sorriso (MT) apresenta a menor referência, com R$ 263 por saca para o produto 9+.

Fatores como coloração, umidade, tamanho de grãos, rendimento no empacotamento e presença de grãos quebrados influenciam de forma crescente a formação de preço, elevando descontos para lotes mais secos ou com maior quantidade de “bandinhas”.

Cenário de curto prazo para o carioca

A expectativa imediata é de manutenção das cotações, sem alta generalizada. Caso os empacotadores intensifiquem as compras para recompor estoques, negócios entre R$ 325 e R$ 335 por saca podem se confirmar para os lotes Extra 9 e 9,5. Se a demanda seguir pontual, os preços devem permanecer laterais, com maior pressão sobre o feijão intermediário.

Feijão preto: sustentação vem da oferta enxuta

No mercado do feijão preto, as cargas a granel são negociadas entre R$ 260 e R$ 265 por saca CIF São Paulo. Produto importado da Argentina varia de R$ 270 a R$ 280 na entrega na capital paulista.

Nos polos de produção, as referências são:

  • Sul do Paraná: R$ 223 por saca;
  • Oeste de Santa Catarina: R$ 233 por saca;
  • Interior de São Paulo: R$ 241 por saca.

Diferentemente do carioca, o preço do feijão preto sofre menor influência do aspecto visual; a principal sustentação vem da menor disponibilidade nacional. A concorrência com o grão argentino seguirá decisiva: cotações externas mais competitivas podem limitar ganhos adicionais, enquanto escassez de oferta ou custos mais altos de importação tendem a favorecer o produto brasileiro.

Atenção voltada às próximas compras da indústria

Nas próximas semanas, o mercado deve monitorar o ritmo de aquisição dos empacotadores, o volume de lotes premium disponíveis e o fluxo de importações argentinas. Até lá, qualidade, disponibilidade e necessidade imediata de reposição continuarão determinando o rumo dos preços do feijão no país.

Com informações de Portal do Agronegócio

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