O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou, na sexta-feira (10), o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e a suspensão de pagamentos de emendas parlamentares ainda pendentes. A medida atende a pedido da Polícia Federal (PF), que apura possível esquema de desvio de recursos públicos.
Investigação
De acordo com a PF, Costa Neto teria indicado 21 emendas, entre junho de 2024 e março de 2026, totalizando quase R$ 120 milhões. Mesmo sem mandato desde 2003, ele teria se valido de servidores da Câmara dos Deputados para registrar parlamentares como autores das solicitações, conferindo aparência de legalidade às verbas.
Mensagens extraídas de celulares na Operação Transparência, deflagrada em dezembro do ano passado, mostram servidores discutindo a destinação de valores e áreas prioritárias, sobretudo saúde e turismo, com ênfase em municípios paulistas. A PF aponta a ex-assessora da Câmara Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, como principal articuladora do repasse das emendas em benefício de Costa Neto. Outros dois servidores citados são Nara Brum e Garigham Amarante Pinto.
Troca de mensagens
Conversas de 25 e 26 de agosto de 2025 revelam que Garigham consultou Mariângela sobre a alocação de R$ 24 milhões “no turismo” após reunião com “VCN” – sigla atribuída pela PF a Valdemar Costa Neto. Dias depois, Nara enviou planilha intitulada “Alteração em Turismo – VCN”, informando mudanças solicitadas por Costa Neto porque “os municípios não iriam conseguir executar”.
Argumentos da defesa
Advogados de Valdemar Costa Neto negam irregularidades e sustentam que é legítimo, no sistema democrático, o diálogo de líderes partidários com parlamentares. A defesa de Mariângela Fialek afirma que a atuação da servidora foi técnica e impessoal. Garigham Amarante declarou não ter comentários, e Nara Brum não foi localizada.
A PF investiga os crimes de desvio de dinheiro público e associação criminosa. O bloqueio judicial busca garantir eventual ressarcimento aos cofres federais, caso as suspeitas se confirmem.
Com informações de G1

