O agronegócio brasileiro inicia a semana atento a dois movimentos considerados cruciais: a votação do Projeto de Lei das dívidas rurais no plenário da Câmara dos Deputados e o anúncio, previsto para terça-feira, 15 de julho, da decisão do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a aplicação de uma tarifa adicional de 25% a produtos do país, entre eles carnes, café e etanol de cana-de-açúcar.
Votação do PL das dívidas rurais
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pressiona para que o texto seja pautado ainda nesta semana. Apesar disso, parlamentares do grupo e o governo federal não chegaram a um acordo sobre pontos do projeto, que trata da renegociação de passivos no campo. O setor vê a matéria como prioridade para aliviar o endividamento dos produtores.
Tarifa de 25% em análise nos EUA
Nos Estados Unidos, o USTR deve divulgar na terça-feira a conclusão da investigação que pode resultar em sobretaxa de 25% sobre determinados itens brasileiros. Na audiência pública realizada na semana passada, mais de 70 participantes apresentaram argumentos, entre eles 11 representantes do agro brasileiro e 12 entidades do setor americano.
No debate, a Renewable Fuels Association (RFA), que reúne produtores de etanol nos EUA, alegou práticas comerciais desleais por parte do Brasil e defendeu a tarifa. Já a United States Cattlemen’s Association (USCA) solicitou ao presidente Donald Trump restrições amplas a todos os produtos bovinos brasileiros, citando vantagens “injustas” ligadas a desmatamento, trabalho forçado e falhas na rastreabilidade.
Perspectivas de mercado
Enquanto aguarda as decisões políticas, o mercado observa oferta crescente entre os principais produtores globais, consumo ainda resistente e o risco climático do El Niño, fatores que têm limitado recuos mais acentuados nos preços, de acordo com análise da StoneX.
Para 2027, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta custos elevados para os produtores, impulsionados por sementes, mão de obra e arrendamentos. Já a produção brasileira de grãos de verão avançou 0,7% em 2026 e superou 150 milhões de toneladas, novo recorde nacional. O USDA também estima embarques do Brasil de 3,2 milhões de toneladas, combinando safra maior e estoques menores no ciclo 2026/27.
O setor aguarda os desfechos desta semana para avaliar os próximos passos, tanto no mercado interno quanto nas relações comerciais com os Estados Unidos.
Com informações de Exame

