A Prefeitura do Rio de Janeiro conclui os trâmites para repassar à Rock World S.A., empresa que organiza o festival Rock in Rio, a gestão da Arena Carioca 1, do Centro Olímpico de Tênis e do Velódromo, todos no Parque Olímpico da Barra. A concessão terá validade mínima de 20 anos e encerra a expectativa de manter o complexo dedicado prioritariamente ao esporte de alto rendimento, dez anos após os Jogos Olímpicos de 2016.
Única proposta entregou R$ 19,5 milhões de outorga
O edital do que a prefeitura passou a chamar de “Complexo das Arenas” foi publicado no fim de 2023. A sessão de abertura de envelopes, realizada em 3 de junho, registrou apenas uma interessada: a Rock World, que ofereceu R$ 19,5 milhões como outorga fixa para assumir os três equipamentos.
COB avaliou, mas descartou participação
Detentor da concessão do Parque Aquático Maria Lenk e de parte da antiga Arena da Barra, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) chegou a estudar a disputa, mas considerou o investimento inviável para uma entidade sem fins lucrativos. A instituição informou que segue aberta a possíveis parcerias com os futuros administradores das instalações.
Uso esportivo não é obrigatório
Pelo contrato, a Arena Carioca 1, sede do basquete na Rio-2016, será classificada como espaço multiuso. Eventos esportivos podem ocorrer, mas não são exigência contratual, modelo semelhante ao da atual Farmasi Arena (antiga Arena da Barra), hoje voltada majoritariamente a shows e espetáculos.
O temor de federações é que a arena siga o mesmo caminho, apesar de ainda receber competições relevantes, como o Campeonato Pan-Americano de Ginástica Artística neste fim de semana e o Mundial de Ginástica Rítmica em 2025.
Centro de Tênis e Velódromo têm baixa ocupação
O Centro Olímpico de Tênis foi pouco utilizado na última década e o Velódromo quase não recebeu provas de ciclismo. No caso do Velódromo, o edital impõe que, em dias úteis, o espaço fique disponível para programas da prefeitura e treinamentos de atletas; a administração municipal também terá prioridade para agendar eventos próprios.
Destino das demais estruturas
Das sete arenas erguidas na Barra para 2016, duas provisórias foram desmontadas. A Arena Carioca 2 passou ao Instituto Federal do Rio de Janeiro, que abrirá um campus técnico no local. A Arena Carioca 3 virou escola municipal, batizada em homenagem a Maria Isabel Salgado.
Processo de concessão começou em 2016
A primeira tentativa de parceria público-privada ocorreu ainda em 2016, sem sucesso. O governo federal, na gestão Michel Temer, instituiu a Autoridade de Governança do Legado Olímpico (AGLO) com uma concessão de 25 anos. O órgão não foi renovado durante o governo Jair Bolsonaro e, em 2022, os equipamentos retornaram à prefeitura, que decidiu licitar Arena Carioca 1, Centro de Tênis e Velódromo — agora entregues ao grupo responsável pelo Rock in Rio.
Com informações de Metrópoles

