O setor avícola brasileiro chega à segunda metade de 2026 sob dupla pressão: enquanto a grande disponibilidade de carne de frango segura os preços no mercado interno, a demanda internacional segue forte e pode levar o país a bater mais um recorde de embarques.
Produção amplia oferta e mantém cotações contidas
Análise da Safras & Mercado indica que a atual oferta excedente impede reajustes significativos no atacado e limita a valorização do frango vivo. O analista Fernando Henrique Iglesias ressalta que o controle dos alojamentos será decisivo para evitar novos desequilíbrios entre produção e consumo nos próximos meses.
Segundo Iglesias, a tendência é de que as cotações recuem novamente na segunda quinzena de julho, período tradicionalmente marcado por menor ritmo de compras no varejo.
Preços no atacado paulista permanecem estáveis
Levantamento semanal da Safras & Mercado mostra que, em São Paulo, os principais cortes congelados não registraram variação:
- Peito: R$ 8,50/kg (atacado) e R$ 8,70/kg (distribuição)
- Coxa: R$ 6,90/kg (atacado) e R$ 7,10/kg (distribuição)
- Asa: R$ 11,00/kg (atacado) e R$ 11,25/kg (distribuição)
Para os produtos resfriados, o cenário também foi de estabilidade, com o peito negociado a R$ 8,60/kg no atacado e a R$ 8,80/kg na distribuição.
Cotações do frango vivo cedem em polos produtores
No mercado do animal vivo, algumas das principais regiões produtoras registraram queda:
- Mato Grosso do Sul: de R$ 4,85 para R$ 4,65/kg
- Goiás: de R$ 4,85 para R$ 4,65/kg
- Minas Gerais: de R$ 4,90 para R$ 4,70/kg
- Distrito Federal: de R$ 4,90 para R$ 4,70/kg
Já São Paulo permaneceu estável em R$ 5,20/kg, enquanto Rio Grande do Sul e Santa Catarina, em regime de integração, operaram a R$ 4,75/kg. No Nordeste e no Norte, os preços seguiram firmes: Ceará a R$ 6,80/kg, Pernambuco a R$ 7,00/kg e Pará a R$ 7,20/kg.
Custos de produção sob observação
A boa oferta de milho e farelo de soja ajuda a manter os custos de alimentação em níveis controlados, mas não compensa totalmente a pressão provocada pelo excesso de carne disponível.
Exportações continuam como principal suporte
Apesar da dificuldade no mercado doméstico, as vendas externas sustentam o desempenho da cadeia. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos oito primeiros dias úteis de julho, o país exportou 190,55 mil toneladas de carne de frango e miúdos, gerando US$ 383,53 milhões.
A comparação com julho de 2025 revela avanço de 61,7% no valor médio diário exportado, de 45,9% no volume médio diário e de 10,8% no preço médio por tonelada, hoje em US$ 2.012,80.
Com esse ritmo, a projeção do setor é superar 5,6 milhões de toneladas embarcadas em 2026, consolidando o Brasil entre os maiores fornecedores globais da proteína.
Perspectiva
Para os próximos meses, a chave estará no ajuste entre alojamentos, produção e consumo interno. Enquanto a oferta não for equalizada, o mercado doméstico deve permanecer contido, tornando as exportações o principal sustentáculo da cadeia avícola brasileira.
Com informações de Portal do Agronegócio

