Brasília — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seja interrogado pela Polícia Civil em 23 de junho, às 15h, no âmbito da investigação sobre uma pistola Glock 9 mm apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) durante uma blitz.
Depoimento em prisão domiciliar
De acordo com a decisão assinada nesta sexta-feira, 19 de junho de 2026, a oitiva deverá ocorrer na própria residência de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Moraes justificou o formato presencial pelas restrições impostas ao uso de meios eletrônicos de comunicação pelo ex-presidente.
A requisição do depoimento partiu da Polícia Civil, que abriu inquérito para esclarecer como a arma saiu da casa de Bolsonaro.
Exigência de comprovação de cuidados médicos
O ministro também concedeu 48 horas para que a defesa apresente prova da contratação de um profissional de saúde responsável pelo acompanhamento noturno de Bolsonaro, obrigação fixada em decisões anteriores. Moraes ainda pediu informações sobre a escala dos agentes de segurança que atendem o ex-chefe do Executivo, especialmente quanto à permanência deles durante a noite.
Blitz em Taguatinga
O fato que motivou a investigação ocorreu na noite de 15 de junho, segunda-feira, quando um veículo oficial do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi parado em um ponto de bloqueio em Taguatinga. No assoalho do automóvel, policiais encontraram a pistola e um carregador reserva.
O condutor, sargento Estácio Leite da Silva Filho, relatou que levava a arma para conserto devido a uma “pane no percussor”. Segundo a PMDF, carros do GSI estacionados em via pública não passam por vistorias constantes, diferentemente dos que entram ou saem da garagem da residência de Bolsonaro.
Versão da defesa
Em manifestação enviada ao STF, os advogados afirmaram que Bolsonaro percebeu o mecanismo da arma “frouxo” e pediu ajuda ao sargento para identificar o problema, sem saber que a própria equipe de segurança havia retirado o percussor para inutilizar a pistola. O procedimento, alegam, foi adotado após a equipe avaliar que medicamentos psiquiátricos usados por Bolsonaro poderiam afetar sua cognição.
A defesa também relacionou o uso desses medicamentos ao episódio de novembro de 2025, quando o ex-presidente tentou romper sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, fato que levou à suspensão temporária de sua liberdade naquele período. Os advogados classificam o atual incidente como coincidência, próximo ao término dos 90 dias de prisão domiciliar, previsto para o fim deste mês.
Situação processual
Bolsonaro cumpre pena total de 27 anos e 3 meses de prisão. O regime domiciliar foi concedido em março de 2024 para tratamento de uma broncopneumonia.
As autoridades aguardam agora o comparecimento do ex-presidente à oitiva marcada para 23 de junho.
Com informações de Gazeta do Povo

