Com o encerramento da Copa do Mundo há uma semana, os investidores brasileiros deslocam o foco para a eleição de 2026, que deixa de ser tratada como hipótese e passa a ganhar nomes, alianças e programas concretos.
Calendário eleitoral acelera definições
Entre 20 de julho e 5 de agosto, partidos e federações realizam convenções para oficializar candidatos e coligações. Até 15 de agosto, as chapas devem ser registradas na Justiça Eleitoral. A campanha começa em 16 de agosto; o primeiro turno está marcado para 4 de outubro e, se necessário, o segundo turno para 25 de outubro.
Esse cronograma transforma uma pré-campanha ainda flexível em disputa com compromissos públicos definidos, etapa que costuma ampliar a volatilidade nos ativos brasileiros.
Fiscal continua no centro do debate
O quadro fiscal segue como principal termômetro da percepção de risco. O Tesouro Nacional advertiu que, sem novas medidas, as metas fiscais ficam inviáveis a partir de 2028, mesmo com bloqueio total de despesas discricionárias. As projeções oficiais apontam dívida bruta de 83,5% do PIB em 2026 e pico de 87,9% em 2029.
Diante dessa trajetória, analistas consideram inevitável algum ajuste fiscal a partir de 2027. A diferença entre os candidatos reside na profundidade, velocidade e composição desse ajuste — se baseado em corte de gastos, aumento de receitas ou combinação de ambos.
Cenário político e pesquisas
Hoje, Flávio Bolsonaro lidera a oposição e tenta unificar a direita enquanto busca diálogo com o centro. Pesquisa Genial/Quaest de 15 de julho mostrou Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 28% no primeiro turno; em cenário de segundo turno, o placar foi 45% a 37% para o petista, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Outro levantamento citado pela Reuters indicou que 42% dos entrevistados se aproximaram da candidatura de Lula após anúncio de tarifas dos Estados Unidos, ante 27% que migraram para Flávio Bolsonaro, sugerindo que temas externos podem influenciar a campanha.
Efeitos sobre câmbio e juros
O real costuma ser o primeiro ativo a reagir às mudanças de probabilidade eleitoral, por ser instrumento líquido de proteção. A partir da moeda, o movimento se propaga para a curva de juros: expectativa de política fiscal crível tende a fortalecer o real e aliviar os juros longos; percepção de adiamento do ajuste pressiona câmbio e taxas futuras.
Importância do Congresso
Além da disputa pelo Planalto, a eleição de governadores e parlamentares definirá a governabilidade do próximo presidente. Uma coalizão ampla, alinhada a um programa econômico consistente, tende a reduzir prêmios de risco. Sem apoio legislativo, mesmo planos bem estruturados podem enfrentar obstáculos para avançar.
Entre convenções partidárias e registro das candidaturas, o país conhecerá quem efetivamente estará na urna e com quais alianças. Daí em diante, o mercado recalculará continuamente as chances de cada cenário, trazendo mais oscilação ao câmbio e aos juros longos.
Com informações de Money Times

