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Lula encerra G7 na França com atritos públicos com Trump e adesão limitada a declarações do grupo

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Évian-les-Bains (França) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concluiu nesta quarta-feira, 17 de junho, sua décima participação em uma cúpula do G7. Convidado ao lado de outras nações em desenvolvimento, o Brasil deixou o encontro com apenas três das oito declarações abertas a parceiros endossadas e sob clima de tensão com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Troca de críticas com Trump

Logo no primeiro dia, Lula e Trump se cumprimentaram rapidamente em um corredor do hotel que sediou o evento. O gesto cordial não impediu que, em coletivas de imprensa separadas após o encerramento da cúpula, os dois trocassem acusações.

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Trump classificou o Brasil como “perigoso do ponto de vista político” e mencionou, de forma imprecisa, a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo. Lula rebateu afirmando que o norte-americano tem direito a apoiar Jair Bolsonaro, mas não deve “interferir nas eleições do Brasil”.

O Planalto informou que não chegou a solicitar reunião bilateral com Washington. Mesmo assim, seguem em discussão, nos bastidores, a possível tarifa extra de 25% sobre parte das exportações brasileiras e a intenção dos EUA de classificar facções criminosas do país como organizações terroristas.

Adesão parcial aos comunicados do G7

Das nove declarações aprovadas pelo G7 — formado por Canadá, EUA, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão — oito foram disponibilizadas a países convidados. O Brasil assinou somente as voltadas ao combate ao câncer, à proteção de crianças no ambiente digital e ao enfrentamento ao tráfico de drogas.

Segundo diplomatas brasileiros, os textos sobre desequilíbrios macroeconômicos, ebola, minerais críticos, desenvolvimento e contrabando de migrantes destoavam da posição de Brasília, além de refletirem, em parte, ajustes para acomodar a participação de Trump.

Agenda bilateral intensa

Ainda na França, Lula manteve reuniões reservadas com líderes do Japão, Egito, Ucrânia, França e União Europeia, além do presidente suíço Guy Parmelin e do secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza.

Com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, Lula tentou reverter o veto da UE às importações de carne, peixe, mel e tripas brasileiras, que entra em vigor em 3 de setembro. O bloqueio não foi suspenso, mas ficou acertado um acompanhamento político mais próximo das negociações sanitárias e das discussões sobre tarifas siderúrgicas.

Conflito na Ucrânia

No último dia da cúpula, Lula encontrou o presidente Volodymyr Zelensky a portas fechadas. O brasileiro relatou ter percebido, “pela primeira vez”, disposição de Kiev em buscar uma saída para a guerra e prometeu telefonar aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — China, Rússia, EUA, França e Reino Unido — para pressionar por um cessar-fogo.

Zelensky, em publicação nas redes sociais, descreveu o diálogo como “uma boa reunião” e indicou novos contatos sobre o tema.

Mercosul e Japão lançam negociações

À margem do G7, Lula conversou com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. O resultado foi o anúncio do início formal de negociações para um acordo de parceria econômica entre o Mercosul e o Japão, a ser inaugurado na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco, no fim de junho, em Assunção.

Para Tóquio, o Mercosul surge como alternativa diante de barreiras comerciais impostas pelos EUA e das restrições chinesas sobre terras raras. Já o Brasil vê a cooperação como passo adicional na diversificação de mercados.

Ao final do encontro em Évian-les-Bains, Lula voltou a criticar a predominância dos países ricos nos documentos do G7 e reforçou que o Brasil pretende manter relações com todas as potências, inclusive a China, sem se alinhar a disputas geopolíticas.

Com informações de G1

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