O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve decidir nesta quarta-feira (24) se o senador Jaques Wagner (PT-BA) continua à frente da liderança do governo no Senado. A reunião entre os dois ainda não tem horário definido, mas, segundo interlocutores, deve ocorrer no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.
Wagner tornou-se o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, deflagrada na semana passada. A investigação apura suspeitas de recebimento de vantagens indevidas para favorecer o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master em pautas no Congresso. Entre os indícios citados pela PF estão um imóvel de alto padrão em Salvador, repasses financeiros e pagamentos em espécie. O senador nega irregularidades e afirma que todos os seus bens e movimentações financeiras estão declarados aos órgãos de controle.
A pressão para que o parlamentar deixe o posto cresce tanto dentro quanto fora da base governista. Mesmo assim, Wagner afirma que não pretende entregar o cargo por iniciativa própria e destaca a relação de amizade com Lula, construída ao longo de anos de atuação política conjunta.
Articulação com Alcolumbre complica decisão
Outro elemento que pesa na decisão do Planalto é a proximidade de Wagner com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atualmente rompido com o governo. Lula depende de Alcolumbre para aprovar matérias consideradas prioritárias antes do recesso parlamentar, como o fim da escala 6×1 e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Nos bastidores, três cenários são discutidos: uma saída voluntária do senador, uma solicitação direta de Lula para substituição ou, em menor probabilidade, sua permanência no comando da liderança. Assessores do governo avaliam que manter Wagner no cargo pode ampliar o desgaste político do presidente em pleno período de pré-campanha pela reeleição, fornecendo argumentos à oposição.
Lula manteve solidariedade pessoal ao aliado logo após a operação da PF, mas evita declarações públicas sobre o tema. Até o momento, o governo não se pronunciou oficialmente sobre a investigação que atinge seu principal articulador no Senado.
Com informações de Gazeta do Povo

