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ICB incluiu documentos da produtora de “Dark Horse” na prestação de contas de convênio com a SMIT

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São Paulo – O Instituto Conhecer Brasil (ICB) anexou arquivos ligados ao filme “Dark Horse” enquanto prestava contas de um convênio firmado com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT), no qual contratou uma ONG vinculada ao atual titular da pasta.

A Polícia Civil apura se valores desviados de um contrato de R$ 108 milhões entre o ICB e a SMIT contribuíram para o financiamento do longa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Convênio, valores e contratação

Dirigido por Karina Gama, também produtora de “Dark Horse”, o ICB celebrou em 2023 um termo de fomento para organizar o Seminário Rumo à Inovação na Educação (Riefa). O evento recebeu R$ 500 mil, verba originada de emenda do então líder do PL na Câmara Municipal, vereador Isac Felix.

Parte desse montante foi repassada à Instituição Científica e de Inovação Tecnológica Brasil (ICT Inova Brasil) para a produção de vídeos e conteúdo em metaverso. A entidade foi fundada por Humberto Alencar, que na época atuava como secretário-adjunto e hoje comanda a SMIT. Registros judiciais mostram que Alencar ainda dirigia o ICT quando o serviço foi contratado.

Não há comprovação, nos papéis do convênio, de que o material em metaverso tenha sido entregue.

Pasta na nuvem reúne notas e arquivos da GoUp

Após mais de um ano sem apresentar a prestação de contas, o ICB enviou à SMIT um link para pasta no Google Drive. Cada despesa possuía subdiretório próprio. Na seção referente ao ICT, além das notas fiscais, surgiu posteriormente a subpasta “ICB e Go Up”, contendo documentos do próprio instituto e da GoUp, produtora responsável por “Dark Horse”. Investigadores suspeitam que as duas organizações se confundam.

Entre os arquivos estavam relatórios anuais da GoUp Entertainment LLC, registrada nos Estados Unidos com participação societária de Karina Gama, e documentos da filial brasileira arquivados na Junta Comercial.

Wifi, notas frias e ligação com a SPTuris

A prestação de contas também incluiu a pasta “Contrato de Wifi”, repleta de documentos associados a Rodrigo Raveli, hoje gerente de eventos da SPTuris. Consta uma ação civil pública que questiona contratações para o Carnaval de Rua de 2019, a ficha da empresa Complexys — da qual Raveli foi sócio — e um print da agenda dele com a então secretária municipal de Cultura. A Complexys emitiu nota fiscal de R$ 2 milhões tida como fria e utilizada pelo ICB nesse contrato de wifi.

Posições dos envolvidos

Karina Gama afirmou que o conteúdo em metaverso foi entregue e que o contrato seguiu a legislação. Sobre possíveis documentos inseridos por engano, disse estar apurando o caso.

Humberto Alencar não respondeu aos contatos da reportagem.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que toda a prestação de contas do Riefa 2023 foi anexada ao processo administrativo em abril de 2025. Segundo a pasta, a subpasta “ICB e GoUp” foi adicionada em maio de 2026, um ano após a conclusão da análise, e não guarda relação com o objeto do convênio. A secretaria ressaltou ainda que a pasta digital pertence à organização civil e que não tem responsabilidade sobre seu conteúdo.

A SMIT declarou também que a citação ao nome de Humberto Alencar em documento de novembro de 2023 refere-se apenas à sua participação como testemunha técnica em perícia judicial de projeto iniciado em 2018. A secretaria afirmou que Alencar deixou o conselho do ICT Inova Brasil em 10 de novembro de 2021, antes de assumir o cargo de secretário-adjunto.

O órgão municipal acrescentou que o convite de um parlamentar para visitar projetos de inovação, mencionado em outra reportagem, não caracteriza vínculo institucional.

Com informações de Metrópoles

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