As geadas registradas no Rio Grande do Sul nesta semana colocaram 72% das lavouras de trigo – atualmente em floração ou enchimento dos grãos – em estado de atenção. Técnicos da Emater/RS-Ascar informaram, no Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (10), que eventuais danos ainda serão verificados, mas o potencial produtivo da safra segue considerado satisfatório.
Fases mais sensíveis concentram maior área
O levantamento aponta que 39% das áreas estão em floração e 33% em enchimento de grãos. Outros 26% permanecem em desenvolvimento vegetativo e apenas 2% chegaram à maturação. As fases reprodutivas são as mais vulneráveis às baixas temperaturas, pois o frio pode comprometer a formação de espigas e reduzir componentes de produtividade.
Monitoramento após o frio
Segundo a assistência técnica, a extensão dos prejuízos dependerá da intensidade e duração das geadas, além do estágio de cada talhão. As áreas afetadas serão acompanhadas nos próximos dias para confirmar se houve queda no potencial de rendimento projetado.
Nas lavouras que ainda se encontram em desenvolvimento vegetativo, como nos Campos de Cima da Serra, não há expectativa de perdas relacionadas ao frio.
Condições anteriores favoreceram manejo
Antes da chegada das temperaturas mais baixas, o clima ameno e a boa radiação solar permitiram o avanço da adubação nitrogenada e dos tratamentos fitossanitários. O controle de doenças fúngicas permanece prioridade, sobretudo durante floração e enchimento, períodos determinantes para produtividade e qualidade dos grãos.
Área e projeção de produção
Para a safra 2026, a Emater/RS-Ascar estima 814.220 hectares de trigo no Estado, com produtividade média de 2.701 quilos por hectare. Se confirmadas as projeções, a produção poderá alcançar cerca de 2,2 milhões de toneladas. O resultado final, entretanto, dependerá do comportamento climático até o fim do ciclo e dos efeitos efetivos das geadas.
Produtores e técnicos deverão inspecionar espigas, folhas e grãos recém-formados nos próximos dias para identificar possíveis sinais de dano e atualizar as estimativas de rendimento.
Com informações de Portal do Agronegócio

