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Falta de trigo de qualidade mantém cotações firmes no Paraná e no Rio Grande do Sul

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O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana de 11 de setembro com negócios pontuais e pouca liquidez, cenário que reforçou a sustentação dos preços no Paraná e no Rio Grande do Sul. A escassez de lotes com padrão adequado à moagem, somada ao risco de novas chuvas e à distância entre as ofertas dos moinhos e as pedidas dos produtores, foi apontada pela consultoria Safras & Mercado como o principal fator por trás da atual firmeza das cotações.

Paraná registra ritmo lento de vendas

No Paraná, as negociações avançaram de forma tímida. Embora o clima tenha melhorado entre segunda e terça-feira, a previsão de precipitações até domingo manteve a cautela entre compradores e vendedores. Alguns lotes já colhidos apresentaram doenças, como a brusone, elevando a preocupação com a qualidade do cereal que chegará ao mercado nas próximas semanas.

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No início da semana, produtores do Norte paranaense sentiram pressão devido à falta de espaço nos armazéns, ocupados pela safra recorde de milho segunda safra. Esse fator levou parte dos agricultores a vender trigo para liberar estruturas, reduzindo seu poder de negociação frente a moinhos que conseguem receber o grão diretamente das lavouras.

Com o passar dos dias, a necessidade de espaço armazém perdeu força, e a oferta restrita de lotes de qualidade virou o principal entrave às transações. Analistas avaliam que os moinhos poderão ter de elevar suas propostas para estimular novas vendas, já que os produtores mostram pouca disposição em negociar aos valores atuais.

Cotações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.550 por tonelada

No Norte do Paraná, negócios fecharam perto de R$ 1.500 por tonelada FOB. Nos Campos Gerais, as indústrias ofertaram até R$ 1.550 por tonelada CIF, equivalente a R$ 1.480 – R$ 1.500 FOB. Para entregas imediatas, as indicações giraram em torno de R$ 1.500 por tonelada CIF, enquanto os contratos de outubro e novembro recuaram para R$ 1.450 e R$ 1.400, respectivamente. Segundo o analista Elcio Bento, praticamente não há interesse dos produtores em vendas futuras nesses níveis, limitando a formação de novos negócios antecipados.

Diferença de preços trava mercado gaúcho

No Rio Grande do Sul, a liquidez também foi baixa. Os moinhos mostraram interesse próximo de R$ 1.400 por tonelada, enquanto os vendedores pediram cerca de R$ 1.500. De acordo com o analista Thiago Oleto, um ponto de equilíbrio poderia ocorrer em torno de R$ 1.450, mas, até o momento, não há disposição de ambas as partes para convergir nesse valor.

Valorização acumulada chega a 39% em 2026

A referência FOB do interior gaúcho, ainda ligada à safra velha, subiu 5,7% na semana e 9,1% no mês. Desde janeiro, a alta acumula 39%, enquanto, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o avanço é de 14,3%. A menor disponibilidade de trigo no estado mantém os vendedores firmes e sustenta os preços, apesar do ritmo reduzido de negócios.

A expectativa é de que a influência da nova safra gaúcha ganhe força a partir de outubro, quando a colheita se aproxima. Até lá, a falta de lotes de melhor qualidade, o comportamento das chuvas e a disposição dos moinhos para revisar ofertas devem continuar ditando o movimento das cotações no Sul do País.

Com informações de Portal do Agronegócio

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