O Brasil embarcou 38,462 milhões de sacas de 60 quilos de café entre julho de 2025 e junho de 2026, queda de 15,7% em relação à temporada anterior, informou o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Mesmo com o recuo, a receita cambial somou US$ 14,595 bilhões, apenas 1% abaixo do recorde obtido em 2024/25, configurando o segundo maior resultado da série histórica.
Menor oferta, logística e tarifa dos EUA pesam no volume
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a redução já era esperada após estoques internos menores e a colheita de 2025 afetada por condições climáticas adversas. Produtores também retardaram vendas diante dos altos preços internacionais. Gargalos nos principais portos brasileiros, com congestionamentos e cobranças adicionais de detention, atrasaram a saída de centenas de milhares de sacas.
Outro obstáculo foi a tarifa de 50% aplicada pelos Estados Unidos entre 6 de agosto e 21 de novembro. No período, os embarques para o mercado norte-americano despencaram 54,9%, de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas, mantendo o fluxo abaixo da normalidade mesmo após a suspensão de grande parte da cobrança.
Desempenho mensal e semestral
Em junho de 2026, o Brasil exportou 3,060 milhões de sacas, alta de 16,9% sobre junho de 2025. A receita do mês foi de US$ 972,8 milhões, retração de 6% devido à acomodação das cotações. No acumulado de janeiro a junho, saíram 17,831 milhões de sacas (-8,3%), com ingresso de US$ 6,534 bilhões (-13,3%).
Preços sustentam faturamento
O preço médio da safra 2025/26 alcançou US$ 379,48 por saca, avanço de 17,4% e o maior patamar já registrado. A valorização reflete oferta global ajustada, impactos climáticos em grandes produtores e demanda firme entre setembro de 2025 e janeiro de 2026.
Destinos: Alemanha assume a liderança
Pela primeira vez desde 2009/10, os Estados Unidos deixaram o topo do ranking de compradores. As cinco principais origens da demanda foram:
• Alemanha: 5,188 milhões de sacas (13,5%)
• Estados Unidos: 4,243 milhões de sacas (-43,2%)
• Itália: 3,267 milhões de sacas
• Bélgica: 2,330 milhões de sacas
• Japão: 2,300 milhões de sacas
Participação por tipo de produto
Café arábica: 29,499 milhões de sacas (76,7%)
Canéfora (conilon e robusta): 5,031 milhões de sacas (13,1%)
Café solúvel: 3,874 milhões de sacas (10,1%)
Café torrado e torrado/moído: 56,8 mil sacas
Cafés diferenciados
Os cafés certificados, especiais ou sustentáveis representaram 19,2% dos embarques, com 7,388 milhões de sacas e receita de US$ 3,160 bilhões. O preço médio foi de US$ 427,70 por saca. Alemanha, Estados Unidos, Bélgica, Holanda e Itália lideraram as compras desse segmento.
Portos brasileiros
Porto de Santos: 28,859 milhões de sacas (75%)
Complexo do Rio de Janeiro: 8,249 milhões de sacas (21,4%)
Paranaguá (PR): 377,9 mil sacas (1%)
Safra 2026/27 e perspectivas
A colheita de arábica da temporada 2026/27 avança sob incertezas climáticas, atraso na coleta e possível impacto da chuva na qualidade. A recuperação do volume exportado dependerá do desempenho produtivo, da normalização da logística portuária e da estabilidade das relações comerciais externas.
Com informações de Portal do Agronegócio

