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Tecnologias agrícolas se multiplicam no Brasil, mas uso correto ainda freia ganhos no campo

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15/07/2026 – 07h00 | São Paulo

O agronegócio brasileiro dispõe hoje de uma vasta gama de equipamentos modernos, drones, sensores e plataformas de agricultura de precisão capazes de reduzir desperdícios e elevar a produtividade. Entretanto, pesquisadores alertam que a principal barreira para transformar esse potencial em resultados concretos continua sendo a forma como as ferramentas são empregadas dentro das propriedades.

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Integração entre pessoas e máquinas é ponto crítico

Para o engenheiro agrônomo Marcelo da Costa Ferreira, professor titular da Unesp de Jaboticabal e coordenador do Núcleo de Estudos e Desenvolvimento da Tecnologia de Aplicação, o mercado oferece “um bom nível de opções” em produtos, máquinas e aplicativos. “Mas essa disponibilidade não representa necessariamente o seu bom uso”, observa.

Segundo o especialista, a eficiência das aplicações fitossanitárias exige sincronia entre fabricantes, produtores, técnicos e operadores. Quando falta essa integração, tecnologias capazes de cortar perdas continuam subutilizadas.

Deriva, regulagem inadequada e planejamento falho geram prejuízos

Problemas como deriva, escolha incorreta de bicos pulverizadores, calibração inadequada de equipamentos e ausência de planejamento operacional figuram entre as principais causas de desperdício no campo. Ferreira lembra que parte dessas falhas poderia ser evitada com capacitação técnica mais abrangente. “Há conhecimento e ferramental disponível, porém falta uma orientação macro que permita compreensão madura do processo”, afirma.

Sensores e drones ampliam a precisão das decisões

Imagens de satélite, drones, sensores e sistemas inteligentes já possibilitam análises detalhadas de cada talhão, permitindo intervenções direcionadas. “O olho dessas máquinas é muito mais detalhista e veloz em produzir informações do que o olho humano”, comenta Ferreira. A tecnologia favorece a transição do modelo de aplicações uniformes para manejos específicos por área.

Cultura tradicional dificulta adoção em massa

Mesmo com os avanços, a migração para práticas digitais esbarra em costumes arraigados. “Essa forma tradicional de trabalho está consolidada há décadas. A primeira barreira é cultural, seguida pela necessidade de alterar o entendimento da operação”, explica o professor.

Capacitação definirá o futuro da agricultura digital

Para o especialista, o próximo salto de produtividade dependerá da capacidade de transformar dados e máquinas em decisões mais inteligentes. Isso exige profissionais aptos a operar, interpretar informações e desenvolver novas soluções. “As inovações virão. As pessoas precisam estar preparadas não apenas para utilizá-las, mas também para criá-las e aprimorá-las”, conclui.

Com informações de Portal do Agronegócio

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