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Cota chinesa quase esgota e frigoríficos brasileiros cortam produção para evitar sobretaxa de 67%

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São Paulo, 15 de julho de 2026 – A indústria brasileira de carne bovina começou a desacelerar abates e revisar embarques após constatar que a cota de 1,106 milhão de toneladas definida pela China para 2026 está praticamente comprometida ainda no primeiro semestre. Caso o limite seja ultrapassado, o país asiático aplicará uma sobretaxa de 55 pontos percentuais, elevando a alíquota total de importação para cerca de 67%.

Diferença de registro aumenta risco de sobretaxa

No Brasil, a exportação é contabilizada quando a mercadoria deixa o porto; já na China, apenas quando chega ao destino e passa pelo desembaraço aduaneiro, processo que costuma levar cerca de 40 dias. Com o avanço dos embarques até junho, há chance de que cargas ainda em trânsito sejam taxadas na chegada, caso o teto anual já tenha sido oficialmente preenchido.

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Frigoríficos ajustam operações

Para mitigar perdas, empresas do setor adotaram medidas como:

  • redução do ritmo de abates;
  • suspensão temporária de novos envios;
  • revisão de escalas de produção;
  • concessão de férias coletivas em algumas plantas.

O objetivo é evitar que lotes destinados ao maior comprador da proteína brasileira desembarquem sob a nova tarifa, inviabilizando a rentabilidade das vendas.

Impacto no produtor e no mercado interno

Com menor demanda dos frigoríficos, a procura por animais tende a cair, o que pode pressionar para baixo o valor da arroba e reduzir a rentabilidade dos pecuaristas, especialmente em regiões dependentes da China. Parte da carne que perderá espaço no exterior poderá ser redirecionada ao mercado doméstico, mas o alívio no varejo não deve ser imediato. De acordo com o professor de Negócios Internacionais André Charone, os custos de industrialização, transporte, energia, armazenamento, tributos e distribuição retardam a transmissão de possíveis quedas de preços ao consumidor final.

Dependência expõe vulnerabilidade

Em 2025, o Brasil embarcou aproximadamente 1,7 milhão de toneladas de carne bovina para o mercado chinês, volume muito acima da cota agora em vigor. O país asiático responde por quase metade das vendas externas brasileiras do produto. Especialistas lembram que mecanismos de proteção são parte recorrente da política comercial chinesa, destacando a necessidade de diversificar destinos como Estados Unidos, União Europeia, Oriente Médio e demais nações asiáticas. Entretanto, ampliar a presença nesses mercados exige negociações sanitárias, habilitação de plantas, adequação de produtos e investimentos logísticos.

O esgotamento prematuro da cota estabelecida por Pequim reforça a urgência de uma estratégia de exportação menos concentrada para reduzir riscos em toda a cadeia da pecuária de corte.

Com informações de Portal do Agronegócio

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