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A explosão do Krakatoa, em 1883, segue como o som mais alto já registrado e alterou o clima mundial

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A erupção do vulcão Krakatoa, ocorrida em 26 e 27 de agosto de 1883, na Indonésia, entrou para a história pela violência da explosão, capaz de ser ouvida a mais de 4,6 mil quilômetros de distância, matar cerca de 36 mil pessoas e interferir no clima global por anos.

Atividade recente reacende interesse

O episódio voltou a chamar atenção após novas erupções registradas no início de julho de 2026 no Anak Krakatau, vulcão formado em 1927 dentro da caldeira deixada pela destruição do Krakatoa. Autoridades indonésias informaram que, apesar da atividade, não há ameaça imediata às populações próximas.

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Sequência de eventos em 1883

Depois de aproximadamente dois séculos de inatividade, o Krakatoa deu os primeiros sinais de vida em maio de 1883, quando tripulações que navegavam pelas ilhas perceberam colunas de fumaça e cinzas. A fase crítica teve início em 26 de agosto, com uma explosão que arremessou lava, pedra-pomes e cinzas ao mar, gerando uma onda mortal nas áreas costeiras.

Nas horas seguintes, a atividade aumentou. A coluna de cinzas alcançou cerca de 80 quilômetros de altitude, mergulhando a região numa escuridão que durou mais de dois dias.

O estrondo mais alto da história

Na manhã de 27 de agosto ocorreu a detonação mais violenta. Registros históricos indicam que o som da explosão foi percebido na Austrália e na ilha Maurício, a mais de 4,6 mil quilômetros, tornando-se o ruído mais intenso já documentado.

Tsunamis e devastação

A força da erupção levou ao colapso da estrutura vulcânica, deslocando grandes volumes de água. Os tsunamis resultantes destruíram 165 vilarejos em menos de 48 horas. Das mais de 36 mil mortes, cerca de 34 mil foram provocadas pelas ondas gigantes. Fluxos piroclásticos — misturas de gases superaquecidos, cinzas e rochas — também atingiram áreas próximas, ampliando a catástrofe.

Impacto climático global

De acordo com os Centros Nacionais de Informação Ambiental dos Estados Unidos (NCEI), as partículas lançadas na atmosfera reduziram a radiação solar incidente na superfície terrestre, derrubando a temperatura média global em cerca de 0,5 °C. O clima levou aproximadamente cinco anos para retornar aos níveis anteriores.

As cinzas geraram amanheceres e entardeceres avermelhados em diversas partes do mundo; especialistas sugerem que esses céus inspiraram a tonalidade dramática de “O Grito”, de Edvard Munch.

Legado científico

A dispersão global das cinzas permitiu a pesquisadores identificar a ação das correntes de jato em grandes altitudes, ajudando a explicar como um único evento natural pode provocar efeitos planetários e evidenciando a interligação dos sistemas terrestres.

Quase um século e meio depois, o Krakatoa permanece como exemplo extremo de força da natureza e de suas repercussões humanas, ambientais e científicas.

Com informações de Exame

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