O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na noite de quinta-feira (28) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passarão a integrar a lista norte-americana de organizações terroristas. A decisão ocorre na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro se reuniu em Miami com o ex-presidente Donald Trump e com o senador republicano Marco Rubio, figura influente na política externa do país.
No Brasil, autoridades do Palácio do Planalto e órgãos de combate ao crime organizado demonstraram preocupação com os possíveis impactos práticos da medida. Um dos mais experientes investigadores das facções, o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, classificou a decisão norte-americana como “muito grave” e alertou para o risco de interferência em investigações em andamento.
Classificação e consequências
Washington informou que enquadrará o PCC e o CV como “organizações terroristas estrangeiras” e “terroristas globais especialmente designados”, categorias que permitem sanções financeiras e restrições de viagem a integrantes e apoiadores.
Ao justificar o novo status, Marco Rubio descreveu as duas facções como “algumas das organizações criminosas mais violentas do Brasil”.
Repercussão política
Aliados de Flávio Bolsonaro veem a medida dos EUA como um potencial trunfo político no debate sobre segurança pública. Já integrantes do governo Lula monitoram o tema e afirmam que a segurança interna é assunto “estritamente nacional”, rechaçando qualquer hipótese de intervenção externa.
Podcast discute o tema
As implicações da decisão norte-americana são tema do episódio #1730 do podcast “O Assunto”, apresentado por Natuza Nery. O programa reúne dados sobre a nova classificação e traz análise do promotor Lincoln Gakiya. Desde 2019, o podcast acumula mais de 168 milhões de downloads nas plataformas de áudio e supera 14,2 milhões de visualizações no YouTube.
O desdobramento do anúncio segue sob acompanhamento de autoridades brasileiras, enquanto se aguardam detalhes sobre como o governo dos Estados Unidos aplicará as sanções previstas.
Com informações de G1

