A Polícia Civil de São Paulo identificou que um grupo de empresas comandado pelo empresário Thiago Telles movimentou R$ 5,68 milhões com intermediários do Primeiro Comando da Capital (PCC) entre 2023 e 2025. O valor consta de relatório da Operação Falso Mercúrio, deflagrada em dezembro de 2025, e de desdobramentos ocorridos na última quinta-feira (28/5), batizados de Falsa Las Vegas.
Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, as empresas de Telles pagaram R$ 3,8 milhões aos operadores da facção e receberam R$ 1,8 milhão. O modelo consistia em depósitos bancários nas contas dos intermediários; em seguida, o empresário recebia a mesma quantia em dinheiro vivo, já descontada uma taxa de 4% cobrada pelos criminosos.
Empresas envolvidas
Telles se apresenta nas redes sociais como sócio e diretor de novos negócios da L2D Telemedicina e presidente da Mediplus Serviços Médicos. A Polícia Civil, porém, afirma que ele é beneficiário final do esquema de lavagem de dinheiro da facção.
Entre 2020 e 2025, a Mediplus recebeu R$ 37 milhões do governo de Goiás por meio do Imed, organização social que administra hospitais estaduais. Já entre 2023 e 2024, a empresa pagou R$ 2,3 milhões aos intermediários do PCC e obteve R$ 553 mil de retorno em espécie.
Pagamentos coincidentes
No mesmo 16 de abril de 2024 em que a Mediplus transferiu R$ 361 mil a uma firma que vende carros — a Keycar ou R. Braga Comércio de Veículos —, a Medic360 Serviços Médicos enviou outros R$ 426 mil à mesma destinatária. A Medic360 recebeu R$ 34 milhões do governo goiano, via Imed, em 2025. A polícia não vinculou a empresa diretamente a Thiago Telles.
Relações com o poder público
Telles e o também empresário Luiz Fernando Donke, ambos integrantes do Lide Campinas, estiveram com o ex-governador Ronaldo Caiado em evento realizado em 2024. O grupo L2D/TL2, do qual faziam parte, recebeu R$ 171 milhões de hospitais públicos geridos pelo Imed entre 2019 e 2026; R$ 93 milhões desse total foram pagos enquanto Telles figurava como sócio.
Em 2022, as empresas Mediplus e TL2 disputaram a gestão de uma UPA em Anápolis (GO) com uma firma ligada ao médico Hilton Picelli; a TL2 venceu a licitação.
Defesas
Mediplus, Medic360 e L2D negam irregularidades e afirmam que seus contratos seguem critérios legais. Telles e a TL2 não se manifestaram. Ronaldo Caiado declarou que sua relação com a diretora do Imed, Maria Caroline Lazarini Dias, é estritamente profissional e atribuiu ao governo federal a responsabilidade de alertar sobre possíveis crimes de fornecedores.
Modus operandi da facção
A Polícia Civil relata que os intermediários do PCC lidam principalmente com dinheiro vivo e escondem recursos ilícitos na compra de veículos e embarcações de luxo. Empresas como a Keycar e a Braga Administração de Bens teriam operado R$ 1,4 milhão em transações consideradas atípicas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
A corporação ainda identificou outras firmas associadas a Telles — caso da Suzupaper e da L&C Comércio de Papelaria — que participam de licitações públicas. A Secretaria de Saúde de Goiás informou que já remeteu às autoridades diversas suspeitas sobre a terceirização de hospitais, reiterando política de “tolerância zero” a irregularidades.
Com informações de Metrópoles

