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Empresário alvo da PF por fraudes no INSS publicou oração agradecendo por “proteção” um mês antes de nova operação

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O empresário Felipe Macedo Gomes, investigado por participar de um esquema que gerou prejuízo bilionário a aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), voltou a ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal na última quarta-feira, 27 de maio. Um mês antes, em 23 de abril, ele havia publicado no Instagram uma oração em que agradecia a Deus por ter sido “protegido” desde a primeira fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025.

Empresas e valores

Gomes presidia a Amar Brasil Clube de Benefícios, entidade que, ao lado de Master Prev, AASAP e ANDAPP, obteve cerca de R$ 700 milhões em descontos aplicados a benefícios do INSS. Segundo a investigação, o grupo movimentou recursos que fazem parte de um rombo estimado em mais de R$ 6 bilhões aos cofres da Previdência.

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Luxo e religiosidade em Alphaville

Com idades entre 30 e 45 anos, Gomes e outros três dirigentes das associações — Américo Monte Júnior, Anderson Cordeiro de Vasconcelos e Igor Dias Delecrode — moravam em Alphaville, bairro nobre de Barueri (SP), e ganharam o apelido de “Golden Boys” durante trabalhos da CPMI do INSS. Parte do grupo frequenta a igreja evangélica Sete Church, também localizada na região. Em um dos cultos, Gomes celebrou os lucros que, segundo ele, teriam sido obtidos após “intervenção divina”. O empresário chegou a ofertar um relógio Rolex e uma BMW como dízimo; mais tarde, pediu o carro de volta, conforme relatou o líder religioso apóstolo Cesar Belluci.

Vínculos políticos e doações

Documentos financeiros reunidos pelos investigadores apontam que Gomes doou R$ 60 mil para a campanha do ex-ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni (PP) ao governo do Rio Grande do Sul em 2022. Onyx, derrotado por Eduardo Leite (PSD), afirmou ao portal que não conhece pessoalmente o doador e que a autorização para a Amar Brasil efetuar descontos em benefícios do INSS ocorreu após sua saída do ministério.

O empresário também mantinha relações de amizade antigas da família com parentes de José Carlos Oliveira, ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência no governo Jair Bolsonaro (PL). Além disso, era proprietário da sala comercial alugada pelo deputado federal Fausto Pinato (União Brasil), utilizada como escritório político em Alphaville; o parlamentar declarou desconhecer a identidade do dono do imóvel quando firmou o contrato.

Sequestro de bens

Esta não é a primeira investida da PF contra o grupo. Em 9 de outubro do ano passado, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a apreensão de 29 veículos avaliados em R$ 27,7 milhões, incluindo carros de luxo, uma moto Ducati, dinheiro em espécie, eletrônicos e armas. Poucos dias depois, em 20 de setembro, Gomes compareceu à CPMI do INSS, mas permaneceu em silêncio, amparado por habeas corpus concedido pelo ministro Dias Toffoli.

O advogado Rogerio Cury, que representa Felipe Macedo Gomes, declarou que seu cliente sempre se colocou à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Com informações de Metrópoles

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