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Treinamento dobra capacidade de identificar rostos criados por inteligência artificial, apontam pesquisadores

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Participantes de um estudo internacional conseguiram praticamente dobrar a precisão ao distinguir fotografias reais de imagens geradas por inteligência artificial (IA) depois de aproximadamente uma hora de treinamento específico. A pesquisa é conduzida pela psicóloga Clare Sutherland, da Universidade de Aberdeen, na Escócia, em parceria com a australiana Amy Dawel, diretora do Laboratório de Emoções e Expressões Faciais da Universidade Nacional da Austrália.

Como o teste foi realizado

Para os experimentos, a equipe reuniu milhares de rostos criados pelo gerador StyleGAN3, considerado um dos mais realistas da atualidade. Antes do curso rápido, os voluntários identificavam corretamente as imagens falsas em cerca de 40% dos casos. Depois do treinamento, a taxa média subiu para 80%, com alguns voluntários chegando perto de 100% de acerto.

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Seis pistas visuais

O método de ensino destacou seis características que costumam denunciar deepfakes:

  • Simetria – rostos excessivamente simétricos tendem a ser artificiais;
  • Proporcionalidade – detalhes fora do padrão, como narizes muito grandes ou orelhas salientes, são raros em deepfakes;
  • Atratividade – imagens geradas por IA costumam parecer mais agradáveis aos olhos;
  • Distintividade – avatares criados por máquina tendem a ser genéricos e pouco marcantes;
  • Expressividade – normalmente transmitem menos emoção;
  • Memorabilidade – em geral, são rostos que se tornam difíceis de lembrar.

Segundo os pesquisadores, a IA ainda apresenta mais dificuldades para reproduzir pessoas não brancas, muito jovens ou mais velhas, devido ao predomínio de imagens de adultos brancos nos bancos de dados de treinamento.

Confiança também aumentou

Além da maior precisão, o estudo verificou que os participantes passaram a confiar mais em seus palpites após o treinamento. Pesquisas anteriores mostravam excesso de autoconfiança sem fundamento; desta vez, o aumento da segurança acompanhou a melhora real de desempenho.

Golpes e usos políticos

O interesse em reconhecer deepfakes cresce na mesma proporção dos riscos. A consultoria Deloitte estima que fraudes com IA possam gerar perdas de até 40 bilhões de libras esterlinas (R$ 274 milhões) nos Estados Unidos no próximo ano, ante 12 bilhões de libras (R$ 82,2 milhões) em 2023. Um dos casos citados envolveu um funcionário em Hong Kong que transferiu o equivalente a R$ 171 milhões após participar de uma videoconferência com um “chefe” falso.

Em 2019, a agência Associated Press revelou que um perfil no LinkedIn chamado Katie Jones, aparentemente especialista em Rússia e Eurásia, era na verdade um deepfake ligado à inteligência russa e chegou a interagir com figuras de segurança nacional dos Estados Unidos. Para tentar frear abusos, um político australiano propõe a obrigação de incluir “marcas d’água” em conteúdos políticos gerados por IA.

Potencial positivo

Apesar dos perigos, Clare Sutherland destaca usos benéficos da tecnologia, como a criação rápida e de baixo custo de projeções de envelhecimento para ajudar em buscas por crianças desaparecidas há anos.

Os autores afirmam que voluntários interessados ainda podem se inscrever para novos testes, reforçando que a prática é o caminho mais eficaz para aprimorar a percepção humana frente às imagens sintéticas.

Com informações de BBC News Brasil

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