Produtores brasileiros se preparam para a possível volta de um El Niño de forte intensidade na safra 2026/27. Projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam alta probabilidade de formação do fenômeno até julho e manutenção das condições entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Impactos climáticos serão distintos entre regiões
No Cerrado, a estimativa é de chuvas irregulares, com possíveis atrasos no plantio e efeitos diretos sobre o milho segunda safra. Já no Sul, a previsão indica volumes mais elevados de precipitação, prolongando o período de umidade e favorecendo o avanço de doenças fúngicas.
De acordo com Mário Drehmer, gerente sênior de Portfólio e Culturas da Sumitomo Chemical, a semeadura irregular pode resultar em lavouras em estádios diferentes, ampliando o tempo de exposição a pragas e patógenos. “As áreas mais tardias tendem a sofrer maior pressão”, afirma.
Soja: doenças devem surgir mais cedo
Temperaturas altas combinadas com umidade elevam o risco de ferrugem asiática, septoriose e cercosporiose. Especialistas alertam para a antecipação de problemas tradicionalmente observados no final do ciclo, exigindo monitoramento desde as fases vegetativas.
Milho: atenção redobrada a doenças foliares
Cercosporiose, diplodia, mancha de Phaeosphaeria, helmintosporiose e ferrugem estão entre as principais ameaças. Drehmer recomenda fungicidas de amplo espectro aplicados de forma preventiva nos estádios vegetativos, especialmente em híbridos de alto potencial produtivo.
Trigo: umidade favorece giberela
Para o trigo, o foco está na giberela, doença que causa perdas de rendimento e contaminação por micotoxina DON. Mancha-amarela, septoriose e ferrugem também podem ganhar força em ambientes mais úmidos.
Janelas de aplicação podem encurtar
Chuvas acima da média facilitam a germinação e a dispersão de patógenos, mas podem impedir a entrada de máquinas no campo, reduzindo o tempo disponível para pulverizações. A situação exige planejamento logístico e definição prévia das estratégias de manejo.
Manejo regionalizado será essencial
Especialistas destacam que a interação entre hospedeiro, ambiente e patógeno exige soluções específicas para cada área produtiva. “Não há mais espaço para receitas prontas”, ressalta Drehmer. Produtores de soja, milho e trigo são orientados a ampliar o monitoramento climático, revisar protocolos fitossanitários e ajustar operações antes do início da temporada.
Com a combinação de clima instável, maior pressão de doenças e janelas de aplicação reduzidas, o manejo preventivo ganha importância para proteger produtividade e rentabilidade na safra 2026/27.
Com informações de Portal do Agronegócio

