O segundo semestre de 2026 começou com o mercado de soja e milho apoiado pela demanda externa e interna, ao mesmo tempo em que o risco climático e a crescente concorrência da Argentina elevam a oscilação das cotações, aponta análise da Hedgepoint Global Markets.
Projeção para a safra brasileira de soja
A consultoria estima para 2026/27 uma colheita de 181,7 milhões de toneladas, resultado de 49,2 milhões de hectares cultivados e produtividade média de 3,69 t/ha. O avanço de área previsto é de 0,9%, abaixo dos cerca de 3% projetados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Margens apertadas, custos altos e insumos mais caros devem conter novos investimentos.
O fenômeno El Niño amplia a incerteza. Previsões indicam chuvas favoráveis no início do plantio, mas possível déficit hídrico no Centro-Norte a partir de novembro e umidade excessiva no Sul, cenário que pode comprometer o rendimento final.
Exportações de soja seguem firmes
Para o ciclo 2025/26, os embarques brasileiros são calculados em 114 milhões de toneladas, superando o recorde anterior de 108 milhões. A procura internacional, somada à demanda doméstica para esmagamento, sustenta os prêmios nos portos.
Nos Estados Unidos, a colheita estimada pelo USDA é de 123 milhões de toneladas, enquanto a Pro Farmer trabalha com 124,4 milhões. Em agosto, 60% das lavouras norte-americanas estavam classificadas entre boas e excelentes, contra 69% um ano antes.
Estimativas para o milho
Para 2025/26, a produção brasileira é projetada em 140,3 milhões de toneladas, das quais 100,7 milhões deverão abastecer o mercado interno. As exportações estão estimadas em 41 milhões, com estoques finais de 12,8 milhões.
Etanol impulsiona consumo interno
O uso de milho para etanol deve crescer de 23 milhões para 28,5 milhões de toneladas, estimulando também a oferta de DDG, que pode chegar a 6,8 milhões de toneladas. O país conta com 29 usinas em operação e 27 projetos em desenvolvimento; a mistura E32 (32% de etanol na gasolina) deve elevar ainda mais a procura pelo cereal.
Pressão concorrencial da Argentina
No comércio externo, a maior produção argentina coloca limite ao avanço dos embarques brasileiros. O USDA prevê safra argentina de 63 milhões de toneladas, enquanto estimativas locais apontam até 70 milhões. As exportações do país vizinho podem saltar para 45 milhões de toneladas, ultrapassando o volume projetado para o Brasil.
Em contrapartida, compras iranianas de milho brasileiro recuaram cerca de 1 milhão de toneladas entre janeiro e julho, em relação ao ano anterior.
Cenário nos Estados Unidos e União Europeia
Nos EUA, o USDA calcula a safra de milho em 407 milhões de toneladas; a Pro Farmer, em 390 milhões. Apenas 57% das áreas estavam em condição boa ou excelente na penúltima semana de agosto, frente a 71% em 2025. A União Europeia, por sua vez, deve colher 50 milhões de toneladas, sete milhões abaixo da previsão inicial, criando demanda adicional por importações.
Além da dinâmica de oferta e demanda, fatores cambiais, geopolíticos e o andamento do El Niño continuarão a influenciar a formação de preços, reforçando a necessidade de estratégias de gestão de risco que separem cotações de Chicago, câmbio e prêmios portuários.
Com informações de Portal do Agronegócio

