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El Niño e demanda emergencial da Índia elevam açúcar ao maior patamar em 15 meses

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21/08/2026 – A cotação internacional do açúcar encerrou a semana em forte alta, impulsionada pela combinação de riscos climáticos associados ao El Niño e pela inesperada decisão da Índia de recorrer ao mercado externo para reforçar o abastecimento interno.

Salto de 5,54% em Nova York

Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato do açúcar bruto para outubro fechou o pregão de 20 de agosto a 17,52 centavos de dólar por libra-peso. Em 14 de agosto, o mesmo contrato valia 16,60 centavos, o que representa avanço de 5,54% em apenas uma semana.

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Durante a sessão do dia 20, o preço atingiu 18,26 centavos de dólar por libra-peso, o maior nível intradiário observado nos últimos 15 meses.

El Niño amplia temores sobre a oferta

O fortalecimento do fenômeno El Niño aumentou a preocupação dos investidores quanto às condições de cultivo em grandes produtores. Alterações no regime de chuvas podem reduzir a produtividade da cana-de-açúcar e de outras matérias-primas utilizadas na fabricação do adoçante, elevando o prêmio de risco embutido nas negociações futuras.

Índia libera importação isenta de impostos

O movimento de alta ganhou tração com o anúncio de que a Índia, segunda maior produtora e maior consumidora mundial de açúcar, vai importar 1 milhão de toneladas sem cobrança de impostos. O objetivo do governo é conter a escalada dos preços internos, que subiram cerca de 40% nos últimos dois meses, às vésperas do período de festividades no país.

Será a primeira vez em quase uma década que o país asiático recorrerá ao mercado externo, alterando o fluxo global da commodity e aumentando a disputa por carregamentos disponíveis.

Impacto para exportadores

Ao passar da condição de potencial ofertante para a de compradora, a Índia adiciona pressão extra sobre o balanço mundial. Exportadores como o Brasil, líder em produção e vendas externas, tendem a ganhar espaço nesse novo cenário. A decisão das usinas brasileiras sobre quanto da cana destinar ao açúcar ou ao etanol dependerá também da trajetória dos preços dos combustíveis, do câmbio e dos contratos já firmados.

Volatilidade deve continuar

Analistas avaliam que as cotações permanecerão sensíveis às previsões climáticas, às estimativas de produção e ao volume efetivamente adquirido pela Índia. Qualquer indicação de perdas agrícolas ou de incremento adicional na demanda pode sustentar valores elevados, enquanto quadros climáticos mais favoráveis podem estimular ajustes e realização de lucros.

Com informações de Portal do Agronegócio

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