Pesquisas recentes mostram que parte expressiva do eleitorado não associa a melhora de indicadores econômicos à atuação do governo federal. Embora a equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acumule resultados positivos, o índice de aprovação do Planalto cai de forma contínua em 2026.
Percepção popular
Levantamentos citados pelo economista Felipe Sampaio apontam que 44% dos brasileiros acreditam que a economia piorou, enquanto apenas 20% enxergam avanço. O dado contrasta com a recuperação do Produto Interno Bruto, a criação de empregos e a expansão do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) observados nos últimos trimestres.
Duas linhas de explicação
Analistas internacionais sugerem ao menos dois motivos para o descompasso:
1. Influência das plataformas digitais
O jornalista norte-americano Chris Hayes, no livro “Capitalismo da Atenção” (Editora Globo, 2025), sustenta que grandes empresas de tecnologia, apoiadas por algoritmos, disputam o foco dos usuários e distorcem a percepção da realidade. Segundo ele, a busca incessante por curtidas e engajamento reduz a capacidade de avaliar fatos concretos.
2. Persistência da desigualdade
A economista Laura Carvalho, em entrevista à BBC News em julho de 2026, lembra que o Brasil segue com grande diferença de renda entre ricos e pobres. Com as redes sociais, explica, a população compara seus padrões de consumo aos de classes muito mais altas, alimentando frustração. Carvalho ressalta ainda que, apesar de avanços macroeconômicos, a desigualdade segue em alta, o que ajuda a explicar a insatisfação.
Efeito da mobilidade social
Sampaio destaca que, nos primeiros mandatos de Lula (2003-2010), grande parcela da população experimentou rápida ascensão social. Hoje, a mesma camada observa ritmo menor de progresso e sente que estagnou. Ao mesmo tempo, cerca de 20 milhões de pessoas que saíram da pobreza recentemente têm maior consciência da concentração de riqueza, fenômeno potencializado pelos smartphones.
Cenário eleitoral
Com base nesses elementos, o autor avalia que Lula entra na disputa presidencial de 2026 em posição de favoritismo, mas alerta: campanhas longas podem levar a uma “decisão nos pênaltis”, expressão usada para indicar imprevisibilidade na reta final.
Felipe Sampaio é cofundador do think tank Centro Soberania e Clima, sócio da Terra Consultoria e Inovação e já atuou em ministérios da Defesa, Justiça, Segurança Urbana do Recife e Empreendedorismo.
Com informações de Metrópoles

